LILÁS

Lilás?

Uma cor meio vermelha, meio marrom, meio rosa, meio fúcsia…

Fúcsia?!?

Felizmente ou infelizmente, a cor lilás não permite tamanha simplificação de definição.

Lilás vai muito além de uma cor.

Lilás representa um estado d’alma.

Onde sensações e sentimentos são colocados de maneira metafórica, simbólica.

Com absoluta liberdade!

Num paralelo com eventos da natureza.

Na letra de Lilás temos, por exemplo:

Amanhã, outro dia

Lua sai, ventania

Abraça uma nuvem que passa no ar

Beija, brinca e deixa passar

E no ar de outro dia

Meu olhar surgia

Nas pontas de estrelas perdidas no mar

Pra chover de emoção, trovejar

Note:

– Lua;

– Nuvem;

– Ar;

– Estrelas;

– Chuva;

– Trovão…

O que esses eventos têm em comum?

São todos fenômenos da natureza!

Sobre os quais o ser humano não possui qualquer possibilidade de controle.

E por que esses fenômenos da natureza ocorrem?

Ocorrem simplesmente porquê…

Acontecem!

Independentemente de nossa vontade – a vontade de quem tanto gostaria de controla-los.

Daí vem a magia de Lilás – estabelecer um paralelo entre fenômenos da natureza e sentimentos humanos.

Será que os sentimentos também estariam fora do domínio das pessoas? Fora da capacidade do ser humano de controla-los? Tal qual os fenômenos da natureza?

Essa é uma questão um tanto quanto que complicada para se discutir nos dias de hoje.

Pois os dias que vivemos são dias difíceis do ponto de vista do exercício da diversidade, onde nada que esteja fora do “politicamente correto” é tolerado, pois tudo o que é afirmado é levado “ao pé da letra”.

Talvez seja por isso que a maestria da música popular brasileira se perdeu – não dá mais para “escrever certo por palavras tortas”.

E talvez também seja por isso que a última edição da “BÍBLIA” tenha sido lançada há algo em torno de dois mil anos – afinal, fosse a Bíblia lançada nos dias de hoje, não haveria como evitar (por conta de seu conteúdo!) o risco de algum processo judicial contra seu autor.

E você acha que “DEUS”, do alto de sua onipotência, estaria disposto a se envolver num sistema como esse – um sistema tão insípido, inodoro, e principalmente pueril?

Lilás foi lançada em 1984, e faz parte de um álbum onde inclusive dá o título ao disco: eram tempos profícuos em termos de perspectivas:

– Muitos sonhos;

– Muitos caminhos;

– Muitas alternativas;

– Muitas idéias;

– Muitas cores…

Não há objetividade de raciocínio que possa explicar a subjetividade dos sentimentos do ser humano.

E então, o que é que sobra?

Lilás…

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