VIDA DE REI

Têm coisas que nem um mastercard pode comprar…

Ele achava que levava uma vida de rei!

Só porque sentia satisfação em viver como e onde vivia…

Num lugar aprazível.

Numa casa em que:

– Não existia acesso à internet…

– Não existia acesso por telefone celular…

– Não existia telefone sem fio…

– Nem sequer telefone fixo…

– Não existia água encanada – a água consumida vinha de um poço localizado nos fundos do terreno…

– Não existia sistema de coleta de esgoto – o que era “expelido” (excretado?!?) pelas pessoas simplesmente ficava onde fora posto, a não ser que alguém se dispusesse a recolhêlo e transportá-lo para outro lugar…

– Não existia televisão…

– Não existia equipamento de som…

– Nem ao menos rádio…

– Nem banho de ducha quente…

– Aliás, não existia nem ducha…

Mas a casa era muito boa – pelo menos ele pensava assim…

E ocupava um terreno muito arborizado!

Tão arborizado que, vez por outra, alguma fruta despencava de uma de suas árvores…

Com grande risco de cair em sua cabeça!

Mas ele achava a casa aconchegante…

Pelo menos 10 meses por ano…

Não fazia muito frio na cidade…

E quando raramente fazia…

Ele não ligava para isso…

Considerava que o clima escaldante  do resto do ano justificava esse pequeno período de clima frio…

Uma espécie de reconhecimento da lei da compensação…

Uma casa sem calefação no inverno…

E sem ar condicionado no verão…

Pois sem energia elétrica, não dava para almejar muita coisa…

Afinal, fazer o quê?

Não dá para se ter tudo na vida!

Mesmo quem acha que leva uma vida de rei…

A casa era enorme…

Um autêntico palacete!

E o fato de não estar numa rua asfaltada não diminuía sua excelência…

Sua qualidade de vida!

Pois ela era, de fato, uma ótima casa!

Onde se comia muito bem:

– Muitas frutas…

– Muitas verduras…

– Muitos legumes…

– E carne de porco…

– E muita… Muita… Carne de frango…

E quando, um dia ou outro, o frio apertava…

Sempre havia quem entrasse e perguntasse:

– “E então, Alteza? Gostaria que eu acendesse a lareira…?”

E então, o que achou dessa casa?

Gostaria de morar nela pelo resto de sua vida?

Não?

Por quê?

Você acha que não teria uma vida de rei numa situação como essa?

Pois acredite: já houve quem achasse, e muito – e teria tido muita satisfação em ter continuado lá pelo resto de sua vida…

A ponto de “ele” ficar muito triste quando foi obrigado a abandoná-la – mesmo que mais do que um rei, fosse o imperador…

***

“É bom ter dinheiro e as coisas que o dinheiro pode comprar, mas é bom verificar se não estamos perdendo as coisas que o dinheiro não pode comprar.” (George Horace Lorimer)

 

Comentários: