ABREVIATURA

Abreviatura?

Uma representação simplificada de um conjunto de palavras que possuem um significado específico, usualmente com base na primeira letra de cada uma dessas palavras.

E que acaba quase que por assumir o status de uma palavra, com sentido próprio; tais como:

– IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística;

– PIB – Produto Interno Bruto;

– RPM – Rotações Por Minuto;

– EUA – Estados Unidos da América;

– AAS – Ácido Acetil Salicílico;

– HC – Habeas Corpus;

– RM – Ressonância Magnética;

– CPV – Custo dos Produtos Vendidos;

– DR – Discutir a Relação;

– FDP…

Obviamente, nem todas as abreviaturas possuem um sentido único específico.

E quem foi que disse que todas demais palavras possuem?

– Leve – contrário de pesado;

– Leve – carregue consigo…

Abreviaturas foram criadas com o objetivo de facilitar o processo de comunicação do ser humano.

Um artifício engenhosamente articulado ao longo dos tempos por conta de uma das mais importantes necessidades básicas do ser humano:

– Não perder tempo.

Nunca houve resultado mais prático para o processo de comunicação do ser humano do que o alcançado com a criação da abreviatura.

Uma abreviatura representa a intenção de se atingir a transmissão de uma ideia específica, independentemente do significado de cada uma das palavras que a compõe.

E por conta disso cada abreviatura acabou se tornando uma palavra.

E como toda palavra com um significado próprio.

Mas um significado só faz sentido se for entendido pelo ouvinte como um meio de atingir um entendimento maior.

E isso só será possível se esse ouvinte for capaz de interpretar esse nó:

– Uma amarração entre duas pontas de um mesmo fio.

Não importa como foi nosso começo:

– Pois se estamos vivos é óbvio que um dia nascemos.

Muito menos como será nosso fim:

– Pois se estamos vivos é inevitável que um dia morreremos.

O que realmente importa é o que ocorre no meio!

Uma coisa em que nada é óbvio nem inevitável.

Uma simplificação cuja cultura popular ao longo dos milênios acabou por consagrar como abreviatura o termo “vida”…

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“Jamais corte o que pode ser desatado.” (Joseph Joubert)

 

PALAVRAS

Palavras?

Você sempre será responsável pelo que cativa.

Palavras podem criar realidade – mas a realidade nem sempre pode ser traduzida por palavras.

Dicionário?

Esqueça!

O conceito a qual me refiro remete ao óbvio.

Tudo num dicionário será sempre simplesmente literal.

E quando se é literal, não há sentimento.

Qualquer letra fria sempre será letra morta…

Sinceramente, quem não gostaria de ter tido acesso a algum manual que o orientasse de maneira prática sobre como usar o mais importante e perigoso recurso do ser humano enquanto em sociedade:

– As palavras.

Sim, as palavras.

E que isso tivesse ocorrido por volta dos 15 anos de idade…

Aliás, nem sempre há a necessidade de sejam palavras – na maioria das vezes, basta apenas uma palavra.

Na realidade, não há muito mistério sobre as regras sociais que envolvem o uso das palavras.

Elas são simples.

Muito simples.

Mas são cruéis – muito cruéis.

E são cruéis porque as palavras representam tanto o remédio, quanto o veneno.

Pois as palavras nunca serão uma representação concreta da realidade.

Serão sempre apenas mais uma fonte para sua interpretação – e muito provavelmente a mais abstrata (ou seja, subjetiva) para avaliação de terceiros sobre a pessoa que fala.

Pois o que uma pessoa fala estará sempre condicionado à interpretação de quem a ouve.

E será uma das principais fontes de avaliação sobre o que os outros pensam sobre ela – ainda que essa pessoa nunca tenha pensado nisso.

Tenha muito cuidado com as palavras.

Pois você será sempre responsável, independentemente de seu sentimento, pelo que você cativa:

1. Fale de acordo com o que pensa, e aja de acordo com o que fala; usualmente, as pessoas dão muito valor ao que é dito e, ao que é feito, só se estiver em linha com o que é dito; se alguém ao convidar para um jantar falou, por exemplo, que serviria almôndegas e, de última hora, optou por servir caviar para impressionar, todos que lá estiverem se lembrarão disso, nem que seja por chacota.

2. Encontrar defeito é fácil, mas fazer melhor pode ser muito difícil; portanto, ao criticar negativamente algum feito, assegure-se antes de falar que possa realizar, ou pelo menos sugerir, algo melhor do que o que foi criticado.

3. É muito fácil falar – mas nem tão fácil conviver no dia a dia com as consequências do que se falou; portanto, tenha sempre em mente que, se um dia você disse que gostava de jiló, muito provavelmente, um dia você vai ter de comer jiló.

4. No mundo ideal, buscamos “condutas”; no mundo real, encontramos “discursos”; procure entender que ninguém busca o que já encontra a esmo, ou seja, o mundo real – de maneira geral, as pessoas procuram “condutas”, pois já estão “cheias” de discursos.

5. Finalmente, entre ficar calado e falar a esmo, é melhor parecer um tolo por um momento ao ficar calado, do que “abrir” a boca – e confirmar as suspeitas dos outros pelo resto de sua vida.

Palavras nem sempre serão capazes de traduzir para outro cérebro tão complexo quanto o nosso o que já é por natureza complexo em nosso coração…

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“O tambor faz muito barulho, mas é vazio por dentro.” (Barão de Itararé)

 

PRÍNCIPE

O Príncipe?

Uma obra absolutamente maquiavélica – o que não traduz necessariamente a intenção de seu autor:

– Maquiavel.

Engana-se quem acha que príncipes não existem mais no dia a dia do mundo contemporâneo.

“O Príncipe” representa um marco na história da literatura universal.

E, muito mais que isso, o primeiro manual de gestão administrativa de que se tem notícia – pelo menos sob um ponto de vista prático.

Escrito por Nicolau Maquiavel, esse livro representa muito mais do que uma obra literária: representa sim a síntese de como um gestor deve proceder em seu dia a dia, durante sua administração.

Um manual que infelizmente não é de leitura fácil – não só por conta da época em que foi escrito, mas principalmente por conter referências da história que, em pleno século 21, poderão não ser facilmente digeridos.

Afinal, como interpretar um manual para…

Príncipes?

No fundo, até que não é tão difícil: basta, simploriamente, substituir a palavra príncipe por:

– Supervisor;

– Gerente;

– Diretor;

– Sócio

Ou simplesmente gestor, tanto de uma empresa como um todo quanto de uma área específica!

Antes de começar a ler o texto abaixo, que representa apenas um resumo de um dos capítulos do livro, tenha em mente que esse livro foi escrito há quase 500 anos!

E qualquer semelhança com a realidade atual não será “mera coincidência”…


Todos reconhecem o quanto é louvável que um príncipe mantenha a palavra empenhada e viva com integridade e não com astúcia.

Entretanto, por experiência, vê-se, em nossos tempos, que fizeram grandes coisas os príncipes que tiveram em pouca conta a palavra dada e souberam, com astúcia, revirar a mente dos homens, superando, enfim, aqueles que se pautaram pela lealdade.

Devemos, pois, saber que existem dois gêneros de combates:

– Um com as leis; e,

– Outro com a força…

O primeiro é próprio ao homem, o segundo é dos animais.

Porém, como freqüentemente o primeiro não basta, convém recorrer ao segundo.

Portanto, é necessário ao príncipe saber usar tanto o animal quanto o homem.

Isto já foi ensinado aos príncipes, em palavras veladas, pelos escritores antigos, que escreveram que Aquiles e muitos outros príncipes antigos haviam sido criados por Quíron, o centauro, que os guardara sob sua disciplina.

Ter um preceptor meio animal meio homem não que dizer outra coisa senão que um príncipe deve saber usar ambas as naturezas e que uma sem a outra não é duradoura.

Visto que um príncipe, se necessário, precisa saber usar bem a natureza animal, deve escolher a raposa e o leão.

Porque o leão não tem defesa contra os laços, nem a raposa contra os lobos.

Precisa, portanto, ser raposa pra conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos.

Os que fizerem simplesmente a parte do leão não serão bem sucedidos.

Assim, um príncipe prudente não pode, nem deve, guardar a palavra dada, quando isso se torna prejudicial ou quando deixem de existir as razões que o haviam levado a prometer.

Se os homens fossem todos bons, este preceito não seria bom – mas…

***

“Como (os homens) são maus e não mantêm sua palavra para contigo, não tens também que cumprir a tua.” (Nicolau Maquiavel)