ANÁLISE DE BALANÇOS: TÉCNICAS

Análise de balanços se baseia no cálculo de índices, cujo objetivo é identificar, tomando-se por base informações contábeis de um determinado período passado de uma empresa ou entidade, suas tendências futuras.

Agora, qual seriam essas técnicas? De maneira geral, pode-se resumir a análise de balanços como sendo:

– A arte de identificar correlações entre as contas apresentadas nas demonstrações contábeis de uma empresa, ou entidade, – e, a partir daí, calcular percentuais.

A identificação de correlações entre as contas apresentadas nas demonstrações contábeis não representa um exercício meramente matemático – pelo contrário!

Trata-se, e isto sim, de uma capacidade de aplicação de conceitos operacionais que possam levar a uma avaliação realmente crítica.

Por exemplo, em geral, a maioria das empresas industriais apresenta, em suas demonstrações contábeis, “contas a receber”.

Como também apresenta (não só as industrias, mas todas) a conta “capital integralizado”.

Ainda não se estabeleceu uma correlação operacional entre os saldos dessas contas.

Pode até ser que, no futuro, alguém consiga convencer seus pares que tal correlação existe.

Mas, até o momento, ninguém conseguiu.

Isto porque, simplesmente, ainda não há como se vincular de maneira objetiva que o saldo da conta “contas a receber” esteja diretamente relacionado ao saldo apresentado na conta “capital integralizado”.

E qual seria então a técnica consagrada para se aplicar uma análise de balanços adequada?

– Calcular percentuais.

Como realizar uma análise de balanço?

Levando-se em consideração:

1. Análise horizontal e análise vertical

Análises horizontal e vertical significa tomar como base uma demonstração contábil de uma entidade e calcular item a item a participação de cada um desses componentes (a parte em relação ao todo).

Por exemplo, o ativo total de uma empresa é $1.000.

O estoque dessa empresa (representado pela conta “estoques” no balanço) apresenta o saldo de $300.

Num cálculo baseado numa análise vertical, isso significa que os estoques da empresa representam 30% de seu ativo.

E numa análise horizontal?

Por exemplo, o saldo da conta de estoque em 31/12/X0 era $250.

Já, em 31/12/X1 passou a ser esse saldo de $300.

Num cálculo baseado numa análise horizontal, isso significa que os estoques da empresa tiveram uma evolução de 20%.

Simples, não?

Bem, não é efetivamente tão simples…

2. Cálculo de índices (ou quocientes)

Tratam-se de cálculos efetuados em que se busca idenfificar a correlação entre as diversas contas do balanço, com o objetivo de se concluir sobre o rumo das operações e transações de uma empresa – e então avaliar a qualidade de seu desempenho.

O cálculo de índices não é tão simplório como muitos gostariam que fosse.

Aliás, nada do que se refira à análise de balanços o é.

Independentemente disso, tenha sempre em mente:

– As técnicas utilizadas na análise de balanços baseiam-se no cálculo de percentuais.

Mas o simples cálculo de percentuais não confere aos resultados qualquer caráter messiânico – tipo uma inevitabilidade de suas indicações.

Independentemente dos resultados apurados somente uma adequada avaliação desses números pode determinar a utilidade prática de qualquer análise – pois não basta identificar o que ocorreu; é fundamental procurar identificar o porquê de assim ter ocorrido.

E essa capacidade de análise só um cérebro humano de mente aberta é capaz de realizar…

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“A única pergunta idiota é aquela que você não faz.” (Paul MacCready)

 

ANÁLISE DE BALANÇOS

Análise de balanços: técnica de avaliação da expectativa de comportamento de empresas, baseada em conceitos contábeis de cálculo de índices, cujo objetivo é projetar, tomando-se por base informações contábeis de um determinado período passado de uma empresa ou entidade, suas tendências futuras.

Em sua origem, esses índices eram basicamente calculados tomando-se por base valores apresentados nos balanços das empresas – daí a denominação análise de balanços.

Com o passar do tempo, novos cálculos de índices foram sendo incorporados à prática, não necessariamente sendo restritos a valores descritos apenas nos balanços, mas também a valores apresentados nas:

– Demonstrações de resultado;

– Demonstrações das mutações do patrimônio líquido;

– Demonstrações das origens e aplicações de recursos;

– Demonstrações de fluxo de caixa;

– Notas explicativas às demonstrações contábeis.

Por isso, modernamente, o termo análise de balanços acabou por ser substituído por análise de demonstrações contábeis, por refletir mais fielmente a abrangência de sua finalidade, já que são calculados índices baseados em valores descritos em diversas demonstrações contábeis.

Análise de balanços (ou análise de demonstrações contábeis, se preferir) é uma ferramenta.

Como qualquer ferramenta, não possui restrições quanto a quem, onde, e por que, vai ser utilizada.

Por exemplo, tomemos por base o ícone universal das ferramentas:

– O martelo!

A quem interessa um martelo?

Sem muito esforço, podemos citar de bate-pronto:

– Carpinteiros;

– Marceneiros;

– Serralheiros;

– Sapateiros;

– Escultores…

Só por esses interessados, fica claro que o conceito de ferramenta não está relacionado ao objetivo de quem a utiliza – mas sim para o que ela serve.

E para que serve a análise de balanços?

Para analisar…

Balanços!

Análise de balanços não possui finalidade outra que não seja servir como suporte para avaliação e projeção de desempenho de empresas ou entidades.

A quem interessa a ferramenta análise de balanços?

– Bancos;

– Corretoras;

– Agências de avaliação de risco;

– Investidores;

– Gestores;

– Clientes;

– Fornecedores…

Tal qual como no exemplo do martelo, a análise de balanços não garante qual será o produto final de quem utiliza a ferramenta.

Pois a utilização da ferramenta de análise de balanços sempre dependerá da capacidade de raciocínio, e principalmente da sensibilidade de quem a utiliza…

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“O que nunca foi posto em questão, nunca será provado.” (Denis Diderot)