ENTREVISTA DE EMPREGO

Entrevista de emprego às 3 horas.

Da manhã?

Isso seria uma decorrência de, eventualmente, os headhunters terem dado preferência para agendar uma entrevista de emprego com candidatos no início do dia cujo perfil seria mais “forte” que os do final do dia?

Certa vez, ouvi de um “Zé Mané” (que mesmo sendo gerente, não deixava de ser um “Zé Mané”):

– Você tem de ser objetivo!

E em outra oportunidade, ouvi de outro “Zé Mané” (que mesmo sendo diretor, não deixava de ser um “Zé Mané”):

– Você tem de ser objetivo!

Até que um dia, ouvi a declaração definitiva.

Proferida por alguém que não se julgava um “Zé Mané”.

E ele até tinha lá seus motivos.

Afinal, não se tratava de um “Zé Mané”.

Pois era ele o “Zé Mané”…

– Você tem de ser objetivo…

Claro que todos as 3 eram pessoas que se encontravam em posição hierárquica superior.

E nem claro é que, apesar da condição hierárquica, não possuíam condição intelectual suficiente para se assumirem como “instrutoras”.

Pois seus comentários, como acima descritos, eram vazios…

– Você tem de ser objetivo…

O que significa para uma profissional ouvir isso?

Sem quaisquer informações adicionais?

Simplesmente dizer que uma pessoa tem de ser objetiva…

E, depois de tantas mensagens, procurei pelo real significado da mensagem:

– O que significa ser objetivo?

Significa, na visão daqueles que assim se manifestam, simplesmente:

– Se vira!

– Resolva o problema!

– Cumpra sua meta!

E foi então que graças a eles, descobri a lei definitiva que rege o mundo corporativo:

– Não há sentido em se procurar discutir situações… Sem sentido!

E quais são as situações mais sem sentido no mundo corporativo?

Aquelas que estabelecem metas ridículas, esdrúxulas e fundamentalmente, bizarras…

Tais quais como quando um headhunter que propõe uma entrevista de emprego – onde inevitavelmente profissionais são obrigados a se deparar com alguém, na maioria das vezes, sem qualquer condição de discutir de maneira minimamente palatável os aspectos técnicos das atribuições do cargo para o qual esse alguém o está entrevistando.

Infelizmente, aquilo que deveria ser um grande evento para qualquer profissional, procurando ou não uma recolocação no mercado de trabalho (uma entrevista de emprego) perdeu a essência de seu sentido.

Pois há muito tempo uma entrevista de emprego deixou de ser uma avaliação de competências do entrevistado – e passou a ser apenas e tão somente um simples jogo de palavras entre headhunters e entrevistados.

Em resumo, se formos seguir a lógica do raciocínio proposto pela pesquisa, chegaremos à conclusão que a própria pesquisa teria de apresentar em que condições teriam sido coletadas as opiniões que foram consideradas para a compilação da conclusão apresentada.

Afinal, alguém que tenha expressado sua opinião às 07h00 teria o mesmo peso que outro que tenha se manifestado às 23h00?

De qualquer maneira, como contestar a essência da matéria?

Afinal, ela está em linha com uma das maiores pérolas já pronunciadas por alguém durante uma entrevista de emprego:

– Olha, eu não sei o que estou fazendo aqui…

De acordo com uma pesquisa americana, “examinadores” (ou “headhunters”, se preferir…) tenderiam a dar notas mais baixas para os candidatos a uma vaga de emprego à medida que vai transcorrendo o dia, até chegar a ENTREVISTA

 

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“O trabalho é uma invasão de nossa privacidade.” (Woody Allen)