QUAL A IMPORTÂNCIA DA SELIC

Por que a Selic é tão importante para a economia do país? Porque a Selic está diretamente relacionada aos fatores básicos que influenciam o desempenho macroeconômico da nação, os quais podem ser resumidos como segue:

– Taxa de inflação;

– Taxa de juros;

– Taxa de câmbio; e,

– Taxa de crescimento da massa salarial.

Primeiramente, o que é Selic:

– Selic é a taxa básica de juros que o governo federal paga aos investidores em seus títulos públicos, como remuneração por esse investimento.

Os títulos públicos são emitidos pelos governos (não só federal, mas também estaduais e municipais) para financiar suas operações.

Em tese, se há aumento na taxa de inflação, um aumento na Selic (taxa básica de juros) tende a refrear o consumo (pelo aumento do nível de poupança interna motivado por esse aumento).

Porém, esse aumento na Selic também tende a influenciar no aumento da taxa de câmbio (motivado pelo aumento na entrada de capitais externos a procura de maior remuneração financeira).

Com o aumento da taxa de câmbio, se por um lado há um aumento na expectativa de rentabilidade das exportações, por outro há o efeito inverso para as importações, que tendem a ser menos atrativas (pois demandarão mais reais para a mesma quantidade de dólares/euros).

Importações mais caras significam menor pressão no mercado interno para os produtos nacionais que, com menor concorrência dos importados, tendem a pressionar o mercado em busca de maior remuneração a seus produtos (ou seja, pressionando a alta dos preços e, conseqüentemente, a alta da inflação).

Um efeito inevitável da lei da oferta e da procura.

O efeito das importações no controle inflação tem até um nome sugestivo – “âncora cambial”; tal qual como em um navio, essa “âncora” mantém a economia “na mesma posição”.

Mas então, o que fazer: simplesmente se inverter o esquema?

Simplesmente diminuir a Selic? Eis aí o problema:

Diminuição da Selic tende a diminuir a poupança interna…

Aumentando o consumo interno e, consequentemente…

Aumentando a pressão para aumento de preços (ou seja, gerando inflação)…

Ao mesmo tempo em que pressiona a taxa de câmbio para baixo, pela queda na entrada de capitais externos (aqueles que buscam maior remuneração financeira)…

Taxa de câmbio mais baixa favorece o cenário para as importações, que reequilibram o jogo para uma expectativa de inflação mais baixa (pois passam os produtos importados, mais baratos, a concorrer com os similares nacionais, pois estes perdem margem para pressionar por reajustes)…

Mas também prejudica a competitividade das exportações…

Mas, afinal; se a Selic não pode ser nem alta, nem baixa… Como ela deveria ser?

Qual a solução então?

A solução seria a Selic encontrar exatamente seu… Ponto de equilíbrio!

Taxa básica de juros não pode ser nem alta, nem baixa.

E cada país (leia-se “cada moeda”) possui a sua, a cada determinado momento.

Os EUA têm a deles.

A Comunidade Européia tem a dela.

E a China também.

E o Brasil também deve procurar pelo seu ponto de equilíbrio.

Qual seria a taxa básica de juros ideal do Brasil, neste momento?

Aquela que estaria no chamado “ponto de equilíbrio”?

Aquela que atendesse de maneira objetiva as expectativas de desempenho de cada moeda.

E as quais são as expectativas?

Alguém tem dúvidas quanto à perspectiva de significativos aumentos da massa salarial no Brasil (decorrentes basicamente de iniciativas do setor público)?

Enfim, pode-se dizer que em tese a equação é simples, pois seus fatores são razoavelmente identificáveis.

O principal problema é determinar suas incógnitas – e, especificamente uma delas, que é a mais importante em qualquer análise que requeira a avaliação do comportamento de seus agentes econômicos:

– Expectativas…

Informações adicionais sobre as características dos títulos públicos federais podem ser encontradas no site do Banco Central do Brasil (BCB) – são esses títulos o principal lastro da taxa SELIC.

(Este artigo foi redigido originalmente em 23/07/2010 – e pelo visto, nada mudou…)

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“Governarei de acordo com o bem geral, não de acordo com a vontade geral.” (Jaime I)