POLÍTICO

Político: afinal, qual é sua profissão de fé?

Exercer uma profissão de fé deveria ser o mantra inspirador de qualquer pessoa que se apresente como sendo um instrumento na busca pelo bem comum, tal qual um padre, no exercício de seu sacerdócio; mas quando se trata de um político…

Infelizmente, na grande maioria dos casos no mundo, atualmente há dois tipos de políticos:

– Os que “não são capazes”; e,

– Os que são “capazes de tudo”…

Infelizmente, é nessa segunda categoria que se enquadra a maioria dos políticos.

Todo político se apresenta invariavelmente como sendo o “defensor do povo”; e por que eles se apresentam como tal? Porque eles sabem que sempre será fácil falar em nome do povo – afinal, o povo não tem voz.

Pueril a alegação simplista de definir o voto como a “voz do povo”.

Voto nunca foi uma manifestação genuína da “voz do povo”; voto representa simplesmente a manifestação do que a “audição do povo” entendeu – não fosse assim, Hitler jamais teria chegado tão longe como chegou.

A maioria dos políticos tem em mente que, o que importa, é a assunção do poder.

E que, para assumir o poder, eles têm de convencer os eleitores daquilo que falam, ainda que necessariamente possam não pensar o que falam… E no que pensa a maioria dos políticos? Na próxima eleição…

Pois, se assim não pensarem, estarão se expondo ao maior flagelo da sociedade moderna: o desemprego!

Afinal, para um político profissional, não ser eleito significa, simplesmente… Ser um desempregado!

E quem quer estar desempregado?

Claro, ninguém – muito menos um político profissional!

A partir do momento em que alguém adota uma atividade como sendo sua profissão, estabelece tacitamente qual será sua fonte de renda, de manutenção – enfim, de sustento.

E, principalmente, sua missão.

Alguém que eventualmente não tenha condições de exercer sua profissão terá sérios problemas para se manter.

E quando é que um político profissional, que é só político, não possui condições de se manter?

Quando não possui um mandato!

Sem um mandato, um político profissional, que é só político, não se sustenta – e conscientes dessa condição, o que eles fazem?

Tentam desesperadamente assegurar um mandato – qualquer que seja! E é por isso que eles prometem, prometem, prometem…

E por que eles prometem tanto, mesmo sabendo que na maioria das vezes não terão sequer a mínima possibilidade de realizar o que é prometido, quer seja por razões econômicas, financeiras, sociais, culturais ou estruturais?

Porque eles sabem que quanto maior for a promessa, ainda que aos olhos dos esclarecidos (que são a minoria dos eleitores), a promessa possa simplesmente ser considerada com uma mentira, maior a chance de o povo acreditar nela.

Pois o povo (a maioria silenciosa) precisa sonhar, pois sem sonho não há esperança de mudança de vida – e, para sonhar, é imprescindível acreditar em algo.

E é aí que os políticos profissionais, que são só políticos, são eleitos!

Afinal, eles são mestres em demagogia: a arte de vestir idéias estapafúrdias com palavras estupendas.

Idéias estapafúrdias por serem inviáveis – mas que são aquilo que o povo menos afortunado, sem condições de sustento por qualquer raio de profissão (por não terem qualquer alternativa na vida), gostaria de ouvir.

Por isso muitos políticos são capazes de prometer construir pontes – mesmo quando não existem rios.

Mas os políticos profissionais que têm como fonte de sustento uma outra atividade (QUE NÃO DEPENDEM DA POLÍTICA PARA SE SUSTENTAREM) invariavelmente são os mais importantes e lembrados na história da humanidade.

Um exemplo?

Winston Churchill: alguém que não se preocupou com a próxima eleição quando era primeiro-ministro na Grã-Bretanha.

Já sofrendo todos os percalços e dissabores da segunda grande guerra, guindado à posição de primeiro ministro britânico, sofrendo pressões por todos os lados, o que fez? Falou o que o povo gostaria de ouvir? 

Sendo um político capaz – mas não capaz de tudo para se manter no poder – ele adotou uma postura transparente. 

E justamente por isso falou o que tinha de falar – mesmo sabendo que não era o que o povo queria ouvir:

– “Só tenho para oferecer sangue, sofrimento, lágrimas e suor. Temos perante nós uma dura provação. Temos perante nós muitos e longos meses de luta e sofrimento. “

Insensível diante das aspirações de seu povo? Claro que não: simplesmente honesto.

Afinal, o que prometer a um povo, às portas de uma guerra: sombra e água fresca?

Aliás, a maior guerra do século XX?

Teria sido uma manifestação de muita desonestidade.

Mas ele não dependia do cargo de primeiro ministro para sobreviver! E justamente por isso ele foi honesto – não com só com o povo, mas principalmente com sua consciência: disse e fez o que deveria fazer – e justamente por isso entrou para a história! Enquanto outros políticos.

Se quiser saber o quanto um político pode contribuir para o aprimoramento de sua nação, não perca seu tempo perguntando se ser político é uma profissão.

Mais importante do que isso é saber qual é a sua principal fonte de sobrevivência!

Independentemente do DISCURSO

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“Eu penso que política é a segunda profissão mais velha do mundo: e acabo de perceber que tem muita semelhança com a primeira.” (Ronald Reagan)