PRÍNCIPE

O Príncipe?

Uma obra absolutamente maquiavélica – o que não traduz necessariamente a intenção de seu autor:

– Maquiavel.

Engana-se quem acha que príncipes não existem mais no dia a dia do mundo contemporâneo.

“O Príncipe” representa um marco na história da literatura universal.

E, muito mais que isso, o primeiro manual de gestão administrativa de que se tem notícia – pelo menos sob um ponto de vista prático.

Escrito por Nicolau Maquiavel, esse livro representa muito mais do que uma obra literária: representa sim a síntese de como um gestor deve proceder em seu dia a dia, durante sua administração.

Um manual que infelizmente não é de leitura fácil – não só por conta da época em que foi escrito, mas principalmente por conter referências da história que, em pleno século 21, poderão não ser facilmente digeridos.

Afinal, como interpretar um manual para…

Príncipes?

No fundo, até que não é tão difícil: basta, simploriamente, substituir a palavra príncipe por:

– Supervisor;

– Gerente;

– Diretor;

– Sócio

Ou simplesmente gestor, tanto de uma empresa como um todo quanto de uma área específica!

Antes de começar a ler o texto abaixo, que representa apenas um resumo de um dos capítulos do livro, tenha em mente que esse livro foi escrito há quase 500 anos!

E qualquer semelhança com a realidade atual não será “mera coincidência”…


Todos reconhecem o quanto é louvável que um príncipe mantenha a palavra empenhada e viva com integridade e não com astúcia.

Entretanto, por experiência, vê-se, em nossos tempos, que fizeram grandes coisas os príncipes que tiveram em pouca conta a palavra dada e souberam, com astúcia, revirar a mente dos homens, superando, enfim, aqueles que se pautaram pela lealdade.

Devemos, pois, saber que existem dois gêneros de combates:

– Um com as leis; e,

– Outro com a força…

O primeiro é próprio ao homem, o segundo é dos animais.

Porém, como freqüentemente o primeiro não basta, convém recorrer ao segundo.

Portanto, é necessário ao príncipe saber usar tanto o animal quanto o homem.

Isto já foi ensinado aos príncipes, em palavras veladas, pelos escritores antigos, que escreveram que Aquiles e muitos outros príncipes antigos haviam sido criados por Quíron, o centauro, que os guardara sob sua disciplina.

Ter um preceptor meio animal meio homem não que dizer outra coisa senão que um príncipe deve saber usar ambas as naturezas e que uma sem a outra não é duradoura.

Visto que um príncipe, se necessário, precisa saber usar bem a natureza animal, deve escolher a raposa e o leão.

Porque o leão não tem defesa contra os laços, nem a raposa contra os lobos.

Precisa, portanto, ser raposa pra conhecer os laços e leão para aterrorizar os lobos.

Os que fizerem simplesmente a parte do leão não serão bem sucedidos.

Assim, um príncipe prudente não pode, nem deve, guardar a palavra dada, quando isso se torna prejudicial ou quando deixem de existir as razões que o haviam levado a prometer.

Se os homens fossem todos bons, este preceito não seria bom – mas…

***

“Como (os homens) são maus e não mantêm sua palavra para contigo, não tens também que cumprir a tua.” (Nicolau Maquiavel)

 

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