PORQUE TODA EMPRESA PRECISA DE UMA MISSÃO

Missão: onde queremos chegar?

“Não tenho certeza se peguei a estrada certa… Mas, pelo menos até agora, nenhum dos passageiros reclamou…” (Um motorista de ônibus interestadual ao seu colega.)

Há inúmeros fatores que influenciam o desempenho de uma empresa:

– Estrutura de capital;

– Domínio de tecnologias de produção ou prestação de serviços;

– Recursos humanos;

– Tendências mercadológicas;

– Sazonalidade nas vendas ou na disponibilidade de insumos;

– Obsolescência ou saturação de marcas ou produtos próprios ou de terceiros;

– Alterações de hábitos ou costumes…

Enfim, fôssemos aqui relacionar todos os tópicos que de alguma maneira influenciam o desempenho de uma empresa, estender-nos-íamos em uma relação por certo extensa e enfadonha, dada a quantidade de itens que poderiam ser acrescidos.

E tanto eles poderão variar de empresa para empresa, em decorrência do ramo de atuação (por exemplo, em uma prestadora de serviços não teremos fatores relacionados ao controle de estoques), como também poderão variar dentro de um mesmo setor e área de atuação, em função do porte dessa empresa, comparado com suas concorrentes.

Mesmo sua localização geográfica poderá ter grande influência em seu desempenho pois, dependendo da distância que a separe dos grandes centros consumidores de seus produtos, uma gama considerável de fatores deverão ser levados em consideração – não há, em tese, nada errado em se instalar uma fábrica de pranchas de surf em Cuiabá; o que não poderá faltar, se essa for a decisão dos empreendedores, é a consideração desse aspecto como fator importante no seu desempenho (qual a logística para se fazer chegar esses produtos ao suposto mercado primariamente consumidor – no caso, o litoral, com suas praias).

Porém, independentemente de todos os itens que poderíamos arrolar como exemplos dos fatores que influenciam o desempenho de uma empresa, cumpre-me ressaltar aquele que representa o aspecto fundamental a ser considerado e que, por sua relevância, tende a minimizar, ou maximizar, os efeitos dos demais fatores, pois estará presente em qualquer empresa, em qualquer setor, em qualquer local, a qualquer tempo: sua missão.

Trata-se de aspecto fundamental dentro do contexto das relações empresariais mas que, por questões culturais, acaba sendo relegado a um plano secundário, por vezes até ignorado.

Todos, em algum dia de suas vidas, tiveram a oportunidade de ouvir a pergunta clássica; “o que você vai ser quando crescer?”.

É por demais natural que se aplique tal questionamento a uma criança, pois de sua resposta são traçadas expectativas de comportamento e conduta, estado psicológico e tendências a longo prazo – que poderão mudar, sem dúvida, incluindo sua opção momentânea; mas, naquele momento, tem-se a identificação de “onde ela quer chegar”.

E uma empresa? Sabemos onde ela quer chegar?

Em outras palavras, sua missão?

Não é o ramo ou setor de atuação quem determina isso, mas sim sua administração.

Uma empresa poderá ter em seu contrato social a exploração de atividades de varejo como objeto social; mas será a administração quem definirá que tipo:

– A empresa terá por missão atender à maior quantidade possível de consumidores, nos mais variados artigos?

– A empresa terá por finalidade a comercialização compacta de poucos itens, no estilo boutique?

– A empresa atenderá somente às classes A e B? C e D? Ou A a E?

– Sua meta será vender o máximo possível, a qualquer preço? Ou o mínimo de vendas em quantidade, como grande produtividade?

– A empresa buscará ser reconhecida como expoente em seu de atuação? Ou buscará discrição absoluta?

Qual seria, dentre as alternativas anteriores, a “missão”?

Não basta dizer que a missão de uma empresa se resuma à busca de sua sustentabilidade – e, portanto, auferir lucros.

Lucros são conseqüência do desempenho, não do setor de atuação.

Há setores cujas empresas, em sua maioria, sempre serão lucrativas.

Já se disse certa vez que para uma empresa petrolífera auferir um pequeno lucro, basta sua administração não fazer nada.

Caso contrário, ela terá um grande lucro.

Saber-se claramente o caminho para o qual uma empresa aponta é fundamental para seu desempenho. Quanto mais clara for definida sua missão, mais fácil será a avaliação de todos os demais fatores. Isso representa, na prática, a disseminação a todos seus colaboradores dos princípios que devem ser observados no dia a dia de suas atividades.

Não importa se falamos de uma petrolífera, de um banco, de uma banca de tomates na feira-livre ou de um lava-rápido.

O princípio por detrás dessa necessidade de divulgação da missão de uma empresa é o mesmo que norteia uma equipe de futebol – já pensou se o treinador não explicar a seus jogadores seu planejamento tático, com todos chutando a esmo…?!?

Por outro lado, qual a missão de um time de futebol num jogo?

– Fazer muitos gols… Ou ganhar o jogo?

Se um time de futebol não pode atuar sem uma missão, por que uma empresa poderia?

A missão de uma empresa deve estar sempre clara a todos que a cercam – a menos, é claro, que ela não saiba para onde quer ir…

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“Se você não sabe para onde vai, todos os caminhos o levam para lugar nenhum.” (Henry Kissinger)