MODA

Moda é um conceito criado pela publicidade:

– Uma permanente procura pelos touros – justamente durante o estouro da boiada.

E aí, quando o estouro da boiada acontece, como saber qual o touro a seguir?

Como saber qual deles representa a vanguarda do grupo?

Afinal, quando se trata de moda, o descartável atropela o efêmero!

Em sendo um conceito criado pela publicidade, tudo na moda é descartável!

Tudo o que é rotulado como “está na moda” não foi feito para durar; foi feito para vender:

– Calças;

– Camisas; 

– Blusas; 

– Sapatos;

– Chinelos;

– Geladeiras; 

– Televisores; 

– Computadores; 

– Carros; 

– Idéias; 

– Gente…

Tudo o que a moda cria em algum momento, já está com seus dias contados no momento em que foi criado – pois tudo nela é criado para ficar tão logo quanto possível… Fora de moda!

Vá lá, quando falamos de coisas, de objetos materiais, dá até para entender (não falei “concordar”). Mas…

E quando falamos de idéias?

De princípios?

De conceitos?

De pessoas?

De gente?

Um dia desses qualquer, ouvi o seguinte comentário:

– Nossa! Como os Beatles eram bregas! Aquelas costeletas e bigodes, vestindo aqueles ternos horrorosos! E o Elvis Presley, então! Lamentável! Aquelas roupas de circo! Pior do que eles, só a Jovem Guarda – é por isso é que eu só curto um tipo de som: massa!

E fiquei pensando: será que esse cara, realmente, sabe do que está falando? Será que ele sabe que o tipo de músicas que ele considera como sendo bregas ou, mais precisamente, “foras de moda” representaram? Será que ele sabe quem esses “foras de moda” são? Será que esse “desafortunado” sabe que, não fosse por “Beatles”, “Elvis Presley”, “Jovem Guarda” (Roberto Carlos, Erasmo Carlos, Wanderléa, Os Incríveis, The Fevers, Renato e Seus Blue Caps, Ronnie Von…) e tantos outros, não existiriam quaisquer um dos atuais hits da música dita moderna?

Quer saber, ele efetivamente não sabe; por quê?

Porque ele é um (dentre muitos outros tantos nos dias atuais) que procura seguir fervorosa, irracional e alucinadamente o que está na moda – sem se importar com o que ele realmente gosta, o que ele realmente sente e o que representa para si próprio ser ele.

Não há nenhum problema em se procurar seguir o que é ditado pela moda – desde que se saiba discernir no estouro da boiada qual o touro a ser seguido…

***

“Moda, afinal, são apenas epidemias induzidas.” (George Bernard Shaw)

 

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