INFÂNCIA

Até onde vai nossa infância?

Nossa infância vai até onde a gente deixar que ela vá…

Há uma geração em curso que, pela primeira vez na história da humanidade, está experimentando a possibilidade de poder conviver num ambiente com opções a escolher.

Algo absolutamente inimaginável para gerações passadas.

Quais gerações passadas?

Praticamente todas!

Infância para quem tem mais de 80 anos?

Simplesmente não existiu…

Para quem tem entre 60 e 79?

Foi muito difícil…

Infância para quem tem entre 40 e 59?

Varia de pessoa para pessoa, pois cada caso é um caso – os anos 60 e 70 foram anos de transição da cultura familiar…

Infância para quem tem entre 20 e 39?

Quem é que disse que, para muitos deles, a infância terminou…?!?

Nunca houve, na história da humanidade, a possibilidade de as crianças se manifestarem de maneira tão veemente quanto a seus direitos, seus anseios, seus dilemas.

Situação invejável essa, não? Principalmente para quem tem mais de 50 anos – o que tem de avô remoendo:

– “Ah, como gostaria de ser neto do meu neto…”

Mas não tem jeito. Não adianta. O tempo passou, passou, passou.

Quem é avô, é avô; quem é pai, é pai; e quem é filho, tá surfando na onda! Neto então, nem se fala.

Mas tem muito filho que não se conforma – notadamente aqueles que nasceram no final dos anos 70 e começo dos anos 80…

– “O quê? Eu não vou aproveitar dessa onda?”

E vai daí que, por conta da liberalização dos costumes – coisa que quem tem menos de 20 anos não faz a menor idéia do que significa…

Enfim, o que temos hoje? Uma possibilidade de recomeço; de recomposição da autoestima…

Sem que essas pessoas se dêem conta de que a fila anda.

Coisas do tipo:

– Sou jovem, tenho 35 (!) anos, e ainda não me casei… Continuo a viver com meus pais ou procuro um apartamento para morar sozinho?

– Sou jovem, 25 (!!) anos, e ainda não me formei na faculdade… Aceito viver com minha namorada na casa dos pais dela?

– Sou jovem, 15 (!!!) anos, e ainda não tenho namorada… Como torno meu status mais atrativo no Facebook?– Sou jovem, 5 (!!!!) anos, e ainda não ganhei um celular de meus pais… Devo entrar com um processo contra eles por maus tratos, ou requerer uma indenização pelos traumas psicológicos irreparáveis que esta situação criará para minha maturidade?

Na realidade, não haverá problema em se viver a infância mesmo depois de adulto – desde que isso não ocupe o restante do tempo de sua vida…

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“Nunca é tarde para se ter uma infância feliz.” (Tom Robbins)