COVARDIA

Covardia poderia ser considerada como um ato de desespero de uma pessoa que decide abandonar um navio que ela sabe que vai afundar?

Mesmo quando só ela enxergou os “icebergs” adiante da rota desse navio?

Haveria covardia de sua parte…

Ou simplesmente um instinto natural de autopreservação?

Covardia começa quando?

E onde?

Não sei…

Mas sei que covardia tem um porquê…

A vida, inclusive e principalmente a corporativa, é cheia de “navios”…

Que, metaforicamente, nada mais representam as dificuldades das próprias empresas durante sua rota.

E cada empresa possui sua “rota” – que nada mais é do que sua “filosofia”.

Que é para onde, inevitavelmente, elas se encaminham…

Imaginar que seja natural que alguém embarque num navio sem ter idéia de seu destino só tem sentido se se considerar que esses que embarcaram não possuem um objetivo definido.

E imaginar que mesmo esses que embarcaram sem um objetivo definido, vão se acomodar plácida e passivamente em seus aposentos mesmo com a perspectiva de o navio afundar durante sua rota significa, no mínimo, o desconhecimento do instinto básico que assegurou a continuidade da raça humana sobre a face da Terra.

O instinto de autopreservação.

Não dá para se chamar alguém de covarde quando esse alguém visualiza antecipadamente uma situação que põe em risco a continuidade de sua vida.

Ainda mais quando ela visualiza, antecipadamente, “icebergs” pela frente…

E na vida corporativa é assim…

“Também” é assim…

Ou mais ou menos assim…

Talvez um pouco mais “tragicômica”…

Mas mais ou menos assim…

Profissionais são convidados, ou procuram por livre iniciativa, a “embarcar” numa empresa.

Só que, a certa altura, alguns se dão conta de que a empresa em que “embarcaram” não vai leva-los ao encontro de seus objetivos.

E, em alguns casos, pior que isso!

Não vai leva-los a lugar nenhum…

No embarque de um cruzeiro, um passageiro jamais será constrangido por assumir que, por engano, embarcou no navio errado…

E por que haveria covardia nesse passageiro em querer voltar e desembarcar desse navio?

Muito menos covardia haveria de outros, se decidissem abandonar o mesmo navio – a menos que, mesmo sabendo que o barco iria afundar, soubessem voar!

Mas nem todo mundo sabe voar – e todos aqueles que não sabem voar sabem muito bem do que estou falando…

“General, câmbio… Por enquanto nossa experiência sobre resistência ao impacto do ar é um sucesso – pulei sem paraquedas da janela do meu apartamento no centésimo vigésimo quinto andar do prédio onde moro e até agora, salvo uma forte sensação de desconforto pelo vento em minha face, tudo vai muito bem… Câmbio…”

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“Existe uma fronteira tênue entre ser corajoso e ser estúpido.” (Tom Seaver)

 

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