O QUE SIGNIFICA BLUSINHA

Afinal, o que elas querem dizer quando falam isso?

Sempre pensei que uma blusa seria o apetrecho de vestimenta suplementar à minha camisa, visando a me aquecer durante os dias de frio mais intenso – e que uma blusinha seria seu diminutivo.

Ou seja, para mim, uma blusinha nada mais seria do que uma blusa, apenas menor – daí o diminutivo: blusinha.

E também assim achava que se aplicaria às mulheres – blusinha também seria uma blusa, só que menor – uma pequena blusa.

Só que, a bem da verdade, não é bem assim; aliás, a bem da melhor verdade, não é nem assim, nem nada disso.

Segundo minha assessora permanente para assuntos “complexos, específicos e esotéricos para o cérebro masculino” (minha querida esposa, claro!), blusinhas, no jargão feminino, não tem nada a ver com uma blusas pequenas.

E muito menos com algum apetrecho de vestimenta relacionado com o frio: blusinhas, segundo esse conceito, representam apenas apetrechos básicos, equivalentes no vestuário masculino a (pasme!) camisas! Ou camisetas, se preferir:

– Quer dizer que blusinhas não signifca blusas pequenas?

Quer dizer que quando uma mulher (mãe, irmã, filha, esposa ou namorada) diz que gostaria de receber de presente uma blusinha, ela não está necessariamente esperando receber uma blusa pequena?

É isso mesmo?

Mas como?

Desse jeito, onde nós HOMENS vamos parar?

Como é que a gente se livra desse mico de correr o risco de dar como presente um “gato”, quando ela esperaria uma “lebre”?

Penso que a presidente Dilma, tão profícua em iniciativas que visam resguardar os interesses dos menos favorecidos, deveria assumir uma posição clara a respeito do assunto – na realidade, um problema básico para a viabilidade dos relacionamentos.

Sua manifestação oficial é absolutamente imprescindível para evitar o constrangimento, inevitavelmente traumático, a qualquer ente do sexo masculino.

Sei lá se por decreto ou por medida provisória – o importante é que o governo (e não só ele, mas também todas as instâncias e instituições oficiais e organizações deste país, inclusive e principalmente aquelas que se autodenominam como defensoras dos direitos humanos) se manifeste a esse respeito, de maneira clara, cristalina, concisa, objetiva. 

Só não vale é se omitir a esse respeito -por respeito a todo o gênero masculino!

Ou, pelo menos, pressionar os membros da ABL a definirem, de forma tácita, qual o sentido da palavra blusinha no mundo contemporâneo.

Tenho certeza que, do alto do oráculo de sua vernácula sabedoria, eles considerarão uma solução viável para eliminar esse grave problema idiomático que atinge não só nosso dia a dia, como a própria estabilidade futura de nossos relacionamentos enquanto filhos, irmãos, pais, maridos ou namorados.

E prover a nós homens (a ala menos “favorecida” nesse processo de “desconstrução histórica” da importância de seu papel na evolução da humanidade…), com as condições básicas para nos defendermos de eventuais “equívocos” involuntários.

Senão, daqui a pouco, vão começar a dizer por pura ironia que “calcinhas” nada mais são do que…

“Calças pequenas”…

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“Eu tenho alguma coisa a dizer… Mas não sei o que é.” (Saul Gorn)