O QUE SIGNIFICA RESILIÊNCIA

Resiliência:

– A capacidade de raciocinar como uma mola.

Uma das características mais valorizadas dentre os profissionais que buscam seu lugar ao sol no mercado de trabalho (quer seja numa busca por novos ares enquanto ainda empregado, ou simplesmente na busca por recolocação) é sem dúvida a da resiliência.

E de tanto se falar nessa tal de resiliência, não deu outra: no tópico de “principais qualificações” ou “características pessoais” do curriculum vitae de qualquer profissional está lá:

– Resiliência.

Ainda que, na maioria das vezes, esses profissionais não façam a menor idéia do isso signifique na realidade!

Pois, se soubessem, repensariam sua disposição em incluí-la como qualificação pessoal em seu currículo…

Em teoria, ter resiliência pode parecer um atributo muito fácil de se assumir.

Até o momento exato em que esse atributo venha a ser colocado à prova.

Afinal, ninguém nasceu para ser mola.

Sim, mola…

Aquele artefato utilizado como mecanismo de absorção de impactos, que se encolhe ao ser pressionado de maneira grosseira, retornando a seu estado natural após esse desconforto.

E sem nenhum vestígio de abalo sistêmico por conta desses impactos.

Uma mola possui um tamanho original que se adapta à força do impacto, contraindo-se diante da força opressora – mas sempre mantendo sua estrutura intacta.

Bonito, não?

Quem inventou a mola, tinha visão de futuro!

(Só não sei se ele próprio tinha resiliência).

Percebeu o quanto seria útil na vida cotidiana das pessoas:

– Colchões;

– Alicates de pressão;

– Balanças;

– Relógios analógicos;

– Amortecedores de automóveis…

Artefatos fundamentados na tese de que, uma vez expostos à pressão, estariam sempre em condições de retornar a seu estado original – aquele existente antes do impacto.

Só que todos esses mequetrefes mecânicos, correlatos e afins nunca tiveram qualquer dúvida quanto a sua necessidade de recomposição ao estado original.

Aliás, nunca tiveram quaisquer dúvidas!

Pois dúvidas só surgem em quem tem sentimentos.

E coisas não têm sentimentos.

Quem tem sentimentos são pessoas.

Os mais diversos tipos de sentimentos:

– Amor;

– Ódio;

– Vaidade;

– Modéstia;

– Ambição;

– Desapego;

– Prazer;

– Dor…

Sem falar nas circunstâncias mais banais do dia a dia que podem afetar o humor de qualquer pessoa:

– Noite mal dormida;

– Trânsito congestionado;

– Calor escaldante;

– Frio intenso;

– Fila no banco;

– Vizinho folgado;

– Restaurante cheio;

– Estômago vazio;

– Café frio;

– Cerveja quente…

E então, após passar todas essas situações, quem é que acha que teria condições de se apresentar incólume, do ponto de vista psicológico, a todas elas?

A ponto de retornar ao estado original de sua condição mental.

Tenha em mente que ainda, a esta altura, não citamos qualquer infortúnio originado do ambiente de trabalho…

Como, por exemplo:

– Cobrança ilimitada…

– Fofoca desenfreada…

– Estrutura deficiente…

– Suporte inexistente…

Quando alguém se assume como tendo resiliência, pressupõe-se que essa pessoa possui a capacidade de absorver todo o impacto dessas condições sem que isso represente o comprometimento de seu foco.

Foco esse que é, em última análise:

– Realizar suas atribuições como se nada tivesse ocorrido (ou estivesse ocorrendo) a seu redor.

Ou seja, agindo como uma ferramenta.

Um artefato – simplesmente concebido para executar uma tarefa.

Independentemente de tudo – ou de qualquer coisa; tanto faz…

Mas só quem faz isso é que realmente pode assumir como qualificação pessoal o atributo da resiliência.

E a resiliência impõe necessariamente estar disposto a abrir mão de convicções pessoais acerca de si próprio e do mundo a seu redor.

Por exemplo, não faz nenhum sentido alguém que queira trabalhar como corretor de imóveis se negar a trabalhar aos domingos porque sua religião não permite o trabalho aos domingos.

Domingo é o dia preferido dos casais para sair por aí flertando com um novo imóvel – ainda só que em potencial.

Passeio de domingo, ué…

Já imaginou um clube de futebol recebendo o currículo de um jogador em que constasse a seguinte observação:

– Disponível para trabalhos extras, inclusive fora do horário de expediente normal, exceto sábados e domingos.

…?!?

Headhunters são especialistas em identificar esse tipo de situação.

Principalmente nos casos em que recebem currículos de pessoas buscando recolocação.

Ou alguém acha que é por acaso que eles usualmente fazem a pergunta:

– Por que você saiu do último emprego?

Não importa quantas vezes alguém tenha colocado em seu currículo a famigerada resiliência.

Aliás, nem mesmo importa sequer o que é falado ao headhunter.

Na maioria das vezes, a cara do entrevistado já respondeu…

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“Não é fácil encarar os problemas um a um quando eles se recusam a se enfileirar.” (Ashleigh Brilliant)

 

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