REBELDE SEM CAUSA

O que significa “Rebelde sem Causa”:

– Alguém que se apresenta voluntariosamente contra o caos e a ordem, mas não tem a mínima idéia sobre o que especificamente caos ou ordem significam.

Um dos comportamentos que mais fascinam (e sempre fascinaram) os jovens e adolescentes ao longo da história e ao redor do mundo é a possibilidade de adotar atitudes de protesto.

Ou, mais precisamente, de se rebelar contra a situação vigente – uma ordem previamente estabelecida, com a qual não concordam.

Em termos de Brasil, durante mais de 20 anos nada causou mais “frisson” do que a possibilidade de se rebelar contra a ordem política estabelecida – a chamada “ditadura militar” (1964-1985).

Por mais incrível que possa parecer aos olhos de hoje, foram anos profícuos, de grande produção intelectual, que serviram como fonte intensa de inspiração temática, quer seja na música, no teatro, na literatura, na política (cujas circunstâncias históricas foram ironicamente criadas justamente por quem as tentava controlar)…

Não havia alternativa que não fosse:

– Sou contra!

Pelo menos do ponto de vista do politicamente correto, só para usar uma expressão tão em voga por estes dias – pois quem não fosse contra, era definido como sendo a favor (sem meios-termos) da “ditadura”.

E em sendo contra, só o que cabia era:

– Rebelar-se contra ela!

Manifestações de protesto são, antes de tudo, um fenômeno social.

Cujas causas podem estar relacionadas a um sem número de fatores:

– Culturais;

– Étnicos;

– Raciais;

– Políticos;

– Econômicos…

Enfim, qualquer situação pode representar um fator motivacional para uma manifestação de protesto, desde que encontre eco em uma parcela significativa da sociedade.

Não se trata de um fenômeno social exclusivamente brasileiro – aliás, longe disso: há países cujas manifestações de protesto são tão comuns que a ocorrência delas se confunde com sua própria história.

Países que hoje contam com uma estrutura democrática já consagrada – por exemplo, Estados Unidos, Alemanha, França, Grã-Bretanha, Itália…

Países onde historicamente o povo sempre saiu às ruas para protestar, sempre com o espírito de evoluir…

E que, não por acaso, representam o “topo da montanha planetária” que todos os demais países almejam um dia atingir:

Na grande maioria das vezes, quando o povo desses países sai às ruas para protestar, eles o fazem conscientes de sua sabedoria de que mesmo antes que o primeiro manifestante coloque o um pé na rua, todos os seus demais pares (o restante do povo) estão cientes sobre quais são suas reivindicações.

E por isso suas manifestações são produtivas – gerando respostas concretas das autoridades, justamente para atender, ou tentar atenuar, suas demandas.

E por que geram resultado? Porque se tratam de países cuja estrutura básica da sociedade já foi estabelecida, onde as pessoas já possuem um nível mínimo de autocontrole.

A “ordem” foi estabelecida.

A “ordem” prevalece no dia a dia dos cidadãos.

E qualquer desordem quebra essa rotina – e é por isso que ela deve ser resolvida.

Para que tudo, no dia a dia dos cidadãos, continue como era antes. Mas…

Para que uma demanda seja resolvida é preciso saber:

– Qual é a reivindicação?

Muitas vezes, a resposta é um silêncio: um silêncio ensurdecedor…

O que significa rebelde sem causa?

– Alguém que reclama sem deixar claro qual sua reivindicação…

– Alguém que reclama sem deixar claro qual sua motivação…

– Alguém que reclama sem deixar claro qual sua proposição…

Afinal, o que procura um rebelde sem causa? Diversão? Pois é justamente isso o que invariavelmente transmite um “rebelde sem causa”:

– Alguém sem responsabilidade, que reclama por reclamar… Apenas por diversão!

Um “rebelde sem causa” nunca sabe quem faz parte da solução; mas quem está a seu redor sabe muito bem quem faz parte do problema…

 

***

“Caos no meio do caos não é divertido, mas caos no meio da ordem é.” (Steve Martin)

 

Comentários: