O QUE SIGNIFICA LÓGICA? CARRO ATROPELA

Qual o objetivo de um raciocínio baseado na lógica?

– Estabelecer uma correlação plausível entre causa (premissa) e consequência (conclusão).

Exemplo (A):

1. João só sai de casa de carro;

2. O carro de João não está na garagem de sua casa;

3. Conclusão: João não está em casa…

Certo?

Bem, nem sempre…

E se o carro de João estiver numa oficina mecânica passando por uma revisão?

João pode ter levado o carro para a oficina, e voltado para casa de táxi – permanecendo lá até que seu carro fique pronto.

Isso quer dizer o quê?

Que o uso da lógica é inútil?

Claro que não…

Exemplo (B):

1. João só sai de casa de carro;

2. O carro de João está na garagem de sua casa;

3. Conclusão: João está em casa…

Percebeu a diferença?

No exemplo (A), o fato das premissas descritas em (1) e (2) serem verdadeiras não garantem de maneira inequívoca de uma conclusão.

Já, no exemplo (B), não há como: se as premissas descritas em (1) e (2) forem verdadeiras, a conclusão será inequívoca.

– Ah, mas João pode ter saído de táxi… E aí?

Se ele saiu de táxi, isso significa que a premissa (1) não é verdadeira (João só sai de casa de carro).

– Mas o carro de João pode até estar na garagem de sua casa (2), mas ele teve um problema de saúde, e foi removido pelo SAMU… E aí?

Mais uma vez, isso significaria que a premissa (1) não é verdadeira…

– Afinal, do que depende a lógica?

Lógica depende da capacidade de alguém em estabelecer as premissas de maneira a eliminar da maneira mais objetiva possível incertezas que possam invalidar sua veracidade.

Para que uma conclusão seja estabelecida de maneira inequívoca, é fundamental que ambas as premissas sejam, a qualquer tempo, verdadeiras.

Caso não sejam, há a tendência a conclusões falaciosas, com o objetivo de quem as faz aplicar nos demais um engodo.

Um artifício utilizado para atrair as pessoas para uma armadilha.

Tal qual se faz com peixes, quando se usa uma isca…

Ou quando a prefeitura de São Paulo anuncia que vai (?) reduzir a velocidade em todas as ruas da cidade a 50 km por hora.

Sob o pretexto de reduzir a mortalidade por atropelamento no trânsito de São Paulo.

Em vias como:

– 23 de maio;

– Radial Leste;

– Marginais

Qual a lógica da Prefeitura de São Paulo, ao tomar essa medida?

Exemplo (C):

1. Carro em movimento pode atropelar uma pessoa;

2. Salvar uma única vida justifica reduzir o movimento dos carros;

3. Conclusão: A velocidade máxima dos carros deveria ser de (…?!?) km por hora…

Se você considerar as premissas descritas em (1) e (2) como verdadeiras, a conclusão será inevitável:

– A velocidade máxima dos carros deveria ser de “0” (zero) km por hora!

Afinal, nunca ninguém viu um carro parado atropelar alguém.

Seria essa a conclusão definitiva?

Não!

Não seria essa a conclusão.

A conclusão definitiva é que há dirigentes políticos bebendo demais – muito além da conta!

O que é absolutamente proibido pela legislação de trânsito.

Pois quem bebe além da conta perde não só o reflexo na direção, mas principalmente a lógica do raciocínio com VELOCIDADE

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“A lógica, como o whisky, perde seu efeito benéfico quando tomada em doses exageradas.” (Lord Dunsany)