JUROS

Juro?

O preço a ser pago por alguém pela utilização do dinheiro de outrem…

(outrem = outro alguém).

Imagine a seguinte situação:

– Alguém imaginou que poderia ganhar muito dinheiro com uma empresa que explorasse o negócio de eventos.

Eventos como aniversários, formaturas, casamentos, batizados…

Só que esse alguém, apesar de suas idéias mirabolantes e revolucionárias sobre como organizar, conduzir e, principalmente, vender essa capacidade aos potenciais clientes não possui um local em que, fisicamente, possa acomodar todos esses eventos.

O que esse alguém faz, por mais dedicado, focado e disciplinado que seja em sua aspiração?

Simplesmente desiste de seu sonho?

Abre mão de toda a satisfação que poderia auferir por conta de sua autodeterminação?

Usualmente, o que esse alguém faz é simples:

– Aluga um imóvel.

Um salão, uma casa, um terreno… O que quer que seja que possa viabilizar a execução de seu objetivo – e por conta disso passa a pagar aluguel!

Para um senhorio que, nos dias de hoje, muitas vezes não faz a menor idéia de quem seja.

E por que não faz a menor idéia de quem seja esse outrem?

Porque isso não interessa e não faz a menor diferença!

Para esse alguém não importa a propriedade do bem que ele alugou:

– O proprietário tem a propriedade.

– Mas o posseiro tem o efetivo direito ao uso da propriedade!

(Posseiro = aquele que possui o exercício da posse, que é o uso de um bem ou equivalente, ainda que seja de propriedade de um terceiro).

Mas isso desde que, obviamente, o posseiro cumpra com sua obrigação.

Que é a de PAGAR O ALUGUEL!

O fato gerador que regula a relação entre o proprietário e o posseiro, quando realizada em condições contratuais compatíveis com o bom exercício da economia produtiva.

Enfim, o que significa juro?

Juro nada mais é do que um aluguel que alguém paga a outrem por conta do uso do dinheiro desse outrem: alguém precisa de dinheiro – quer seja para abrir um negócio, comprar uma casa, um carro, ou simplesmente, pagar dívidas!

E outrem o tem!

E por conta disso procura outrem que possua esse dinheiro e que esteja disposto a abrir mão da utilização dele durante um certo período, tal qual faz o proprietário de qualquer imóvel quando o aluga.

Inclusive aquele senhorio que constrói no terreno do fundo de sua casa um “quarto e cozinha”, na esperança de que isso contribua minimamente para o orçamento familiar.

Pagar juro é tão problemático quanto pagar aluguel: só paga aluguel quem precisa usar um imóvel que não é seu, assim como também só paga juro quem precisa usar um dinheiro que também não é seu!

Enfim, onde está o problema?

Onde sempre esteve, desde os primórdios da história da humanidade:

– Na lei da oferta e da procura.

Todo locatário sabe que tem de pagar seu aluguel, nem que seja por conta de sua necessidade de morar em algum lugar – mas poderá ser muito mais feliz em sua necessidade se procurar um novo imóvel antes de receber uma ordem de despejo, e ter de dizer:

– Juro: devo, reconheço – mas só posso pagar quando puder…

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“Necessidade nunca faz uma boa barganha.” (Benjamin Franklin)