EXAUSTÃO

Exaustão: em contabilidade, prima-irmã da depreciação.

Exaustão, sob o ponto de vista contábil, significa o reconhecimento da perda econômica no valor de um bem ou direito, decorrente de seu consumo nas atividades, quer seja por venda, aplicação na produção de outro bem, ou simplesmente por conta de sua obsolescência, mas que não pode ser reutilizado ou recomposto.

Exaustão tem a ver com recursos não renováveis na natureza, e para os quais não há capacidade humana (física, química ou biológica) de recomposição desses recursos, uma vez consumidos.

Exaustão representa uma técnica contábil que visa o reconhecimento de perda de valor econômico de um bem – no caso, um ativo permanente.

Mas um ativo permanente sem volta:

– Uma mina de cobre;

– Um poço de petróleo;

– Uma mina de ouro…

Por exemplo, quando uma empresa compra um carro para ser utilizado em suas operações está incorporando ao seu ativo um bem.

Esse carro, ao longo de sua utilização nas atividades da empresa, inevitavelmente sofrerá desgaste.

Um desgaste natural inerente a qualquer bem material:

– Pneus;

– Freios;

– Motor;

– Fiação;

– Lataria…

E esse desgaste natural vai sendo incorporado ao balanço da empresa através da depreciação.

E a certa altura, quando o desgaste natural desse carro chegou a um ponto insustentável em termos de sua utilização, o que faz a empresa?

Simplesmente se livra desse carro.

Vai até a concessionária de veículos que mais lhe aprouver e…

Compra outro carro!

Simples, não?

Só que, em se tratando de bens não renováveis, essa alternativa não é possível.

Ou alguém acha que, quando soar o inevitável gongo da natureza, exalando aos quatro ventos do planeta que a Bacia de petróleo de Campos se exauriu, a Petrobrás vai simplesmente procurar na internet (Goolgle?!?) outra bacia de petróleo disponível para compra…?!?

Petróleo (assim como cobre, ouro, estanho e tantos outros) representam itens disponibilizados pela natureza e que ainda o ser humano não possui capacidade tecnológica de recomposição.

A principal (talvez a única…) diferença entre exaustão e depreciação é que a depreciação se aplica a qualquer bem tangível incorporado aos ativos de uma empresa.

Já a exaustão só se aplica a aqueles itens que não podem ser substituídos ou recompostos pela ação do ser humano.

O reconhecimento contábil da exaustão é, filosoficamente simples:

– Suponha que uma empresa possua um poço de petróleo estimado em 100 milhões de barris;

– A empresa estima (baseada em análises técnicas suportadas por, por exemplo, laudos) o consumo de 10 milhões de barris por ano;

– Na contabilidade, será reconhecida como despesa com exaustão um valor representativo de 10% ao ano (didaticamente, para simplificar o conceito, aplicaremos uma regra de três: 100 dividido por 10)…

Simples, não?

A priori…

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“Sempre espere ficar desapontado – e você não ficará.” (Saul Gorn)