O QUE SIGNIFICA ESTÓRIA

Estória: será que o culpado é sempre o mordomo?

Para quem está a procura de um culpado que seja óbvio o suficiente para não precisar explicar a quem quer que seja os rumos da história, eis aqui a consagração definitiva de quem assume ainda que inconscientemente o exercício pleno de seu complexo de vira-latas:

– O culpado é a cultura anglo-saxônica!

Sim, aquela mesma: a dos imperialistas!

Aquele povo mesquinho que, inconformado por não ter sido abençoado por DEUS a morar num país tropical, bonito por natureza, sem carnaval, acabou por recorrer a subterfúgios rasteiros, pueris e, por que não dizer… Profícuos!

A Grã-Bretanha, aquele arquipélago situado ao norte da Europa Ocidental, povoada por um povo frio e calculista (e berço da cultura anglo-saxônica…) sempre foi…

Fria… E calculista!

Mesmo que ainda tenham sido subjugados pelo poderio do Império Romano, ainda assim mantiveram sua altivez.

A tal ponto de, mesmo não tendo se rendido inapelavelmente às imposições culturais do Império opressor, tiveram a sabedoria de absorver os princípios que norteavam as estratégias desse invasor.

Quais sejam:

– Tática;

– Estratégia;

– Conhecimento;

– Especificidade…

E o que significa especificidade?

– Ser específico.

Numa idéia, numa forma ou num princípio do pensar, onde se procura ser o mais específico possível na hora de definir por meio de palavras situções, ainda que semelhantes, não sejam iguais.

Onde independentemente da realidade perceptível à maioria das pessoas se procura abstrair o real sentido do que efetivamente ocorre ao redor:

– Delas próprias;

– De outras pessoas;

– De si mesmo…

E foi então que num lampejo de introvisão alguém, imbuído da mais profunda capacidade de discernimento entre aquilo que se diz, e aquilo que se quer dizer, sugeriu:

– This is not History; it is just a story…

História (history) tem a ver com situações em que, de alguma maneira, existe uma mínima possibilidade (não definitiva, mas de tendência efetivamente coerente) de que o que quer que tenha sido relatado possa ser considerado como crível, ou seja:

– É… Acho que foi isso mesmo!

E estória?

Estória (story) não tem nada a ver com algo que necessariamente tenha de ser considerado como crível – pelo menos do ponto de vista como efetivamente tendo ocorrido.

Aliás, quem disse que poderia ter sido essa a intenção de quem quer que seja que tenha se dedicado a essa tarefa:

– A de contador de estórias?

A um contador de estórias pouco importa se seu relato lhe parece crível ou não – aliás, isso não tem a menor importância.

O que lhe importa é contar sua estória, de maneira que lhe pareça interessante… Atraente… Sedutora… A ponto de seus ouvintes tomarem a iniciativa de propagá-la, independentemente de sua veracidade.

Uma estória não tem necessariamente um compromisso com a história: mas uma estória pode trazer muito mais lições de vida que o conhecimento da história…

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“Aprender história é fácil – difícil é aprender as lições da história.” (Mansour Chalita)