O QUE SIGNIFICA DESAFORO

Desaforo: afinal, quem é que escuta os dois lados de uma discussão?

Se há situações a que uma pessoa que almeje ter sucesso na vida profissional ou pessoal terá de necessariamente saber lidar com sabedoria e tolerância essas serão, sem qualquer sombra de dúvida, as de desaforo.

Aquelas situações em que alguém se manifesta de maneira atrevida, insolente e desmedida, sem qualquer demonstração de respeito, e que podem ocorrer:

– Entre colegas da escola;

– Entre membros da família;

– Entre parceiros de trabalho;

– Entre conhecidos da vizinhança;

– Entre desconhecidos numa fila…

Todo mundo está sujeito a situações em que alguém, por alguma razão, se predispõe a falar o que quer que lhe dê na telha.

Sem se dar conta do quão ofensiva está sendo!

O quão é mal educado.

E nem sempre é fácil para quem se sente ofendido por esse tipo de comportamento se manter na plenitude de seu autocontrole diante dessas composturas.

A ponto de se perguntar:

– Por que é que ainda não finquei meus dentes no pescoço desse cara?

Bem, quando a pessoa ainda para para pensar no por que ainda não fincou os dentes no desaforador, menos mal.

O problema surge quando essa pessoa não para para pensar no por que ainda não fincou seus dentes e… Destroça o pescoço desse alguém!

É óbvio que “Por que é que ainda não finquei meus dentes no pescoço desse cara?” representa uma metáfora.

Uma metáfora sobre o que as pessoas gostariam de dizer, e às vezes fazer, a alguém que as trate dessa maneira.

Só que as pessoas que se sentem ofendidas com os desaforos não sabem que ele só existe por conta de um momento.

Por conta de uma fração de segundos.

O tempo de duração de um desaforo é proporcional à importância do desaforo.

Por exemplo, no trânsito, quando alguém ouve:

– Ô, barbeiro!

Quem disse isso?

Alguém que tentava ultrapassar pela direita, enquanto quem ouvia dava seta justamente para entrar na próxima rua… À direita!

Chato, né…

Um autêntico desaforo!

Só que, nesta situação, não haveria como discutir com o desaforado…

Pois do jeito que ele apareceu, ele foi!

E então, por que procurar retrucar desaforos outros que ocorrem no dia a dia de qualquer ser humano normal durante sua busca diária pelo sustento e sobrevivência num mundo em que os desaforos abundam em profusão:

– Família;

– Escola;

– Vizinho;

– Trabalho;

– Política…

Desaforo não é prato pronto, que as pessoas devem necessariamente levá-los para casa e degustá-los.

Desaforo é para ser memorizado!

E apresentado quando lhe for mais conveniente…

– Puxa, agora que estou desempregado há um ano e você está me ajudando, posso dizer que nunca pensei que você fosse me considerar depois daquele dia em que eu disse aquele desaforo – que você não era nada, um nada, que comia na minha mão…

– Para com isso! Coma tudo e aproveite – e me diga se você gostou…

– Gostei; arroz com carne moída – gostei não, adorei!

– Aham… O Lucky nem tanto; servi esse prato para ele, mas ele lambeu, lambeu, lambeu… E não comeu! Eu disse para ele: “come… come… come”… Como ele não comeu, acabei recolhendo numa sacola plástica e trouxe para você!

– Lucky? Que Lucky?

– Ora, meu poodle!

– …

Discussão sempre só valerá a pena com quem sabe argumentar!

E é justamente por isso que nunca se deve perder tempo discutindo com desaforados.

Pois discutir com desaforados é simplesmente uma perda de tempo!

Algo mais ou menos como tentar discutir com um poodle – tentando convencê-lo de que ele não é um canguru, mas sim um cachorro.

Você falando, falando, falando…

E ele?

Pulando, pulando, pulando…

***

“A única pessoa que escuta os dois lados de uma discussão é o sujeito que mora no apartamento vizinho.” (Mansour Chalita)

 

Comentários: