ESTOQUE

Estoque: vamos ver agora quem é que tem o quê para vender!

Estoque, em contabilidade, significa todo item disponibilizado para comercialização numa empresa.

Comercialização essa que efetivamente nada mais significa do que estar disponível para venda.

Pois para que algo seja caracterizado como estoque basta apenas a manifestação tácita da intenção de quem possua sua propriedade.

E essa disposição tácita se traduz de maneira bem simples:

– À venda…

Estoque representa uma definição contábil para uma classe específica dentre todos os demais ativos de uma empresa, ou entidade.

E para que um item seja assim classificado não há necessidade de qualquer procedimento documental atestando essa condição…

Basta apenas… Estar disponível para sua venda.

Essa afirmação, propositalmente simplória, implica na seguinte constatação:

– Para um ativo ser classificado como “estoque”, basta que a intenção de quem possua sua propriedade (e não posse!) o tenha como finalidade última sua venda.

Por exemplo, imagine uma entidade que possua como sua propriedade um ônibus.

Esse ônibus seria um ativo dessa entidade – um bem que compõe seu patrimônio.

O que esse ônibus representaria para essa entidade?

Um estoque?

Ou um ativo permanente?

Depende.

Fosse numa empresa de transporte de passageiros, esse ônibus deveria ser considerado como um veículo destinado à manutenção das operações da empresa.

E, portanto, um ativo permanente!

Já, fosse uma concessionária de venda de veículos de transporte coletivo esse ônibus deveria ser considerado como um… Estoque!

O critério fundamental para definição de um bem como estoque ou não está em se estabelecer como ele contribuirá numa entidade para a obtenção de suas receitas:

– Sendo utilizado nas operações da entidade; ou,

– Sendo vendido.

Um ativo permanente representa um bem ou direito cuja manutenção na empresa não está relacionada à sua venda, mas sim à sua utilização como um dos meios necessários para viabilizar a realização de seus negócios.

Uma montadora de veículos, qualquer que seja ela (Fiat, GM, Ford, Volkswagen, Toyota, Hyundai…), enquanto tiver como objetivo vender os veículos por ela produzidos terá esses veículos sempre classificados como estoque.

Mas ao estabelecer um desses veículos, mesmo que por ela produzidos, como sendo destinado a ser utilizado pelo diretor-presidente da empresa em seu dia a dia, aí então não teremos mais o tratamento desse veículo como estoque.

Esse veículo deverá ser considerado como um item do ativo permanente.

E o mesmo princípio vale para qualquer tipo bem ou direito que, de alguma maneira, possa suscitar algum tipo de dúvida em decorrência de sua área de atuação:

– Um imóvel é um ativo permanente, certo?

Bem, não necessariamente: numa empresa que seja construtora, imóveis são construídos para serem vendidos e, consequentemente, são…

Estoque!

Ou seja, qual o conceito definitivo sobre o que seja estoque?

Não se deixar levar pelo que é dito, mas sim pelo que é praticado.

Quando se trata de contabilidade, não importa o senso geral sobre um bem mas sim a finalidade de quem o automaticamente denomina como estoque; afinal.

Pois há muita gente que possui uma grandiosa adega em casa e às vezes a chama de estoque – mas que não tem a menor intenção de colocá-la à venda…

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“Técnica é o que você usa quando falta inspiração.” (Rudolf Nureyev)