NÃO ESPERE PRIVACIDADE NO GMAIL

Ao tomar conhecimento disso, foi inevitável me lembrar de uma das músicas que mais tocaram fundo em minha alma durante os bons tempos de minha profícua juventude…

Havia um tempo em que eu vivia,

Um sentimento quase infantil,

Havia o medo e a timidez,

E outro lado que você nunca viu…

Esse trecho é a primeira estrofe da música “A Cruz e a Espada” (RPM):

– A melodia é suave…

– A letra é intensa…

– A interpretação é contida…

Na minha percepção, simplesmente um grito!

Surdo…

Talvez essa minha identificação sentimental com essa música nada mais fosse do que apenas uma manifestação de meu subconsciente – achando que, inevitavelmente durante algum tempo de nossas vidas, sempre acabamos por cultuar “sentimentos quase infantis”…

Só que, hoje em dia, acreditar em certas coisas transcenderia um mero e simplório “sentimento quase infantil”…

Na realidade, poderia até ser um sintoma de alienação! Uma desvinculação total da realidade! Enfim, um…

Ultraje a rigor!

Em 13/07/2013, como parte de processos judiciais envolvendo questões de privacidade nos Estados Unidos, os advogados do Google apresentaram a um tribunal federal daquele país a seguinte declaração:

“Assim como o remetente de uma carta enviada a um colega de trabalho não pode se surpreender se o assistente do tal destinatário abrir a carta, as pessoas que usam e-mail não podem se surpreender caso seus e-mails sejam processados pelo provedor de e-mail no curso da entrega”.

A resposta do Google, em resumo, foi de que “as aspas foram pegas fora do contexto”…

Será que acreditar na privacidade de informações de usuários de serviços fornecidos na internet também poderia ser considerado um sentimento infantil?

Se assim o for, acreditar então que exista privacidade em serviços fornecidos de forma gratuita seria o quê?

Note:

– Quando alguém faz uma pesquisa no Google, o resultado apresentado nas pesquisas também traz uma indicação de links que “podem interessar” a quem a faz…

Links de natureza publicitária: baseado em que o Google faz essas “sugestões”?

Será que seria com base no histórico de pesquisas desse alguém, cuidadosamente compilados em um possível rico “banco de dados”…

O qual seria oferecido como uma espécie de garantia a anunciantes que estivessem interessados em uma campanha totalmente direcionada a um público-alvo específico – que são os que efetivamente bancam as operações do Google?

Seria uma idéia muito interessante…

Afinal, qual seria a eficácia de um anúncio de motel ao aparecer numa página de resultado de busca para quem digitou “igrejas evangélicas em SP”?

Ou de um anúncio de luvas de box para quem digitou “receitas de torta de açafrão”?

Enfim, será que acreditar em privacidade na internet seria algo como acreditar em E.T.’s?

Algo equivalente a “um sentimento quase infantil”?

E acreditar na privacidade das informações dos usuários do Gmail seria o equivalente a acreditar em papai Noel?

Bem, acreditar em papai Noel não vale…

Afinal, nem as crianças de hoje em dia acreditam nele…

Não espere privacidade quando enviar mensagens pelo Gmail – quem disse isso?

Isso mesmo, acredite: quem disse isso foi o GOOGLE

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“O que os homens querem não é conhecimento, mas certezas.” (Bertrand Russell)