MATEMÁTICA EU SEI DE MENAS, MAS…

Quando ouvi pela primeira vez em minha vida essa frase relutei com todo vigor de minha alma acreditar que ela pudesse ter sido falada por alguém algum dia, tamanha a incoerência de sua suposta lógica:

– Matemática eu sei de menas, mas no português eu se garanto.

Como é que alguém pode dizer que não sabe matemática, mas ao mesmo tempo apregoar se sentir seguro no idioma pátrio, num texto tão curto e ao mesmo tempo tão cheio de erros de português?

Porque matemática é mais importante do que o idioma.

Matemática: por que ela é tão importante na vida das pessoas?

Matemática, concomitantemente ao ensino do idioma pátrio do país em que uma pessoa nasceu (no nosso caso, o português), representa a estrutura básica de qualquer processo de educação minimamente condizente com a formação de cidadãos.

Não ser capaz de ler nem sequer uma única palavra do que quer que lhe seja apresentado à sua frente representa, no mínimo, o carimbo de incapacidade de locomoção.

De avaliação, de decisão.

Um estrangeiro sem as garantias legais dos deficientes físicos…

Só que o exercício de um idioma propicia um artifício singular dentro do contexto das relações humanas.

Uma pessoa pode até ser analfabeta, mas…

Se souber “enrolar”, ela até pode se dar bem!

Pois o fato de ser analfabeta não significa não saber se comunicar.

Estar na condição de analfabeto impõe limitações na leitura e na escrita.

Mas nenhuma imposição da audição e na fala!

Conheci copeiras analfabetas (ou semi…) que se desdobraram de tal maneira que aprenderam a se comunicar com tanta destreza que provocavam admiração (e muitas vezes inveja…) nas pessoas que eram servidas por elas.

Supostamente “superiores”:

– Encarregados…

– Gerentes…

– Diretores…

De onde vinha essa capacidade ímpar em transmitir a seus ouvintes uma mensagem com tamanha ênfase a ponto de despertar sua admiração coletiva?

A consciência de que a maioria das pessoas não possui raciocínio matemático.

Raciocínio matemático implica em objetividade:

– 8 (+) 1 (=) 9

– 9 (-) 4 (=) 5

– 4 (x) 2 (=) 8

– 6 (/) 2 (=) 3

Enrolar… Como?

O conhecimento da matemática, ou pelo menos o domínio de suas premissas básicas, impõem às pessoas um condicionamento mental que invariavelmente entra em choque com tudo o que de mais pueril possa existir nas relações humanas:

– Falar sem dizer…

Quem tem dificuldade com matemática tem dificuldade com a vida.

Infelizmente a maioria das pessoas acha que não precisa dominar os princípios básicos da matemática.

O que, aliás, pode até explicar essa aversão natural à matéria.

Mas isso só porque essas pessoas não se dão conta que “dominar” não significa “saber que existem”…

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“Os números não mentem, mas os mentirosos fabricam números.” (Itamar Franco)

 

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