O DIA DA IRA

Um dos clássicos do cinema – especificamente dos chamados filmes B.

Filme B representa uma terminologia adotada pelos profissionais da indústria cinematográfica para, em uma única letra, definir filmes de pouco orçamento – já que eram filmes destinados a serem exibidos como complemento de uma sessão dupla no cinema, coisa que hoje simplesmente não existe.

Há muitos filmes baratos na história do cinema.

Mas uma coisa é um filme ser barato no que se refere aos custos de sua produção – outra coisa bem diferente é ele ser barato em relação à pretensão de sua história.

Por exemplo, “Melhor Impossível”, com Jack Nicholson (“As Good As It Gets”, no original em inglês) é um filme que, tirando o cachê do protagonista, não requereu nenhum megainvestimento em termos de custo para sua realização – e nem por isso se trata de um filme B.

Quer saber o que é um filme B?

Assista “O Dia da Ira”.

Por quê?

Porque “O Dia da Ira” representa o suprassumo da divagação.

“O Dia da Ira” representa o suprassumo da pretensão.

E, principalmente, “O Dia da Ira” representa o suprassumo da inspiração:

– Nunca se explique; jamais peça desculpas.

Se você assistiu “O Dia da Ira” sem se preocupar com as mensagens implícitas no filme, assista de novo.

Se você assistiu, refletiu sobre ele, mas o filme não marcou sua experiência, assista de novo.

Agora, se você ainda não assistiu “O Dia da Ira”, bem…

Ainda há tempo: assista!

Em “O Dia da Ira” Giulianno Gemma e Lee Van Cliff são os protagonistas dessa história – um spaghetti western clássico, como se costumava definir essa modalidade de filmes nos anos sessenta e setenta.

Produzido em 1967, trata-se de uma das maiores pérolas do cinema B – que numa definição simplória podem ser definidos como filmes que mesmo tendo sido produzidos com baixo orçamento não se tratam de filmes necessariamente ruins – neste caso, pelo contrário.

Mesmo em se tratando de um típico bang-bang produzido nos moldes de seus congêneres nos anos 60, O Dia da Ira possui em seu roteiro lampejos de introvisão filosófica admiráveis, com metáforas dignas de constar de qualquer livro de autoajuda; como, por exemplo:

– Jamais implore a outro homem;

– Nunca confie em ninguém;

– A bala certa na hora certa;

– Quando ferir um homem, mate-o, porque senão, um dia, ele vai querer se vingar;

– Se você começar a matar, não vai conseguir parar… 

Será que o mundo atual, mesmo considerando-se a evolução da sociedade moderna, ainda continua a ser um palco profícuo para o exercício de um…

Bang-bang?

Sei não; por via das dúvidas…

Nunca se esqueça de seu alvo…

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“Cinema é a fraude mais bonita do mundo.” (Jean-luc Godard)