CORRUPÇÃO: INVESTIMENTOS EXTERNOS NO PAÍS

Quando a corrupção atrapalha os investimentos externos num país?

A resposta mais objetiva que pode ser dada a essa questão é simplesmente a que se segue:

– Depende… 

E quem tem o DNA de empresário já entendeu por quê.

Pois, de um jeito ou de outro, qualquer detalhe acaba fazendo parte do jogo – e, infelizmente, corrupção não só não é um detalhe… Como corrupção faz parte do jogo. 

Antes de tudo, que fique bem claro nossa posição pessoal: 

– Corrupção é um cancro em qualquer lugar, a qualquer tempo, e todos os esforços devem ser envidados no sentido de procurar extirpá-la da sociedade.

Nosso objetivo é tentar traduzir o que se passa na cabeça de quem o DNA do mundo dos negócios em suas veias, e que tem de se sujeitar aos “serviços” do Estado.

Pelo menos no que se refere aos serviços públicos: aqueles que são oferecidos, sem que se tenha qualquer possiblidade de recusar, pois se tratam de… Serviços públicos!

“Oferecidos” pelo Estado: um ambiente naturalmente permeado por corrupção – desde o calcanhar… Até a medula!

Federal… Estadual… Municipal… “Bairral”?

Isto posto, vamos aos fatos – pois no mundo dos negócios, só os fatos prevalecem.

Tudo o que se relaciona a investimentos tem, necessariamente, a ver com as expectativas de empresários – aqueles que efetivamente se dispõe a encarar os desafios de novos negócios.

Com muito ou pouco capital, não importa; o que importa é sua disposição em encarar o jogo. E quando um empresário se dispõe a isso? Quando todo o cenário macroeconômico de um país é favorável ao investimento? Quem pensar assim já deixou claro que não possui a menor propensão para ser empresário – muito menos boleiro.

Boleiro no jargão popular significa jogador de futebol, sem vínculos profissionais, um amante da arte – como aqueles que existiam aos borbotões na era romântica do futebol, tão presentes nos outrora comuns campos de várzea existentes aos montes pelo país…

Que é a melhor analogia que nos ocorre para tentar traduzir o que se passa na cabeça de um empresário – um empresário, em essência, não raciocina diferente de um boleiro.

E como raciocina um autêntico boleiro?

1. Um boleiro não discute quando jogar – um empresário também…

2. Um boleiro não discute onde jogar – um empresário também…

3. Um boleiro não discute contra quem jogar – um empresário também…

4. Um boleiro não discute por quê jogar – um empresário também…

5. Um boleiro só pensa numa coisa: jogar – um empresário… Também!

Enfim, a única coisa que importa a um boleiro é ter uma mínima garantia da aplicação das regras do jogo.

Pois são as regras do jogo que, teoricamente, garantem o resultado de seu esforço – seu investimento.

Para que fique claro o quanto é importante ter a garantia das regras de um jogo, imagine uma partida de futebol.

Onde, aos quinze minutos de jogo, um jogador de futebol conduz a bola em direção à área adversária.

Ele dribla um, dribla dois, dribla três… Dá “chapéu” no quarto, no quinto, no sexto… Faz o “drible da vaca” no sétimo, oitavo, no nono… Dá quinze “pedaladas” no décimo, passa por ele… E, de cara com o décimo primeiro (isso! O goleiro!) ele, suavemente, chuta a bola por entre as pernas dele.

De chaleira! Depois de uma jogada como essa, o que ele ouve? Gritos ensurdecedores da torcida, ovacionando sua maestria e sua técnica apuradas? Não… Ouve o apito do juiz… Determinando que houve falta na jogada.

– Falta? Como assim seu juiz? Pergunta ele.

– Você conduziu a bola com os pés; a partir dos quinze minutos de jogo foi determinada a inversão das regras de jogo – agora, o futebol passa a ser jogado com as mãos, e só o goleiro pode usar os pés.

Um boleiro autêntico não teria dúvidas: partiria para cima do árbitro…

Metáforas à parte, o mundo dos negócios é exatamente isso: não importa quais sejam as regras, desde que elas sejam observadas pelos participantes, tal qual como num jogo de futebol.

É por isso que certas regiões do mundo há investimentos, não só internos mas principalmente externos.

Independentemente de:

– Corrupção;

– Guerras;

– Política instável;

– Infraestrutura precária;

– Estado inexistente…

E esses empresários assim o fazem:

– Ou por conta de sua predisposição de fazer o que gostam;

– Ou por conta de não enxergarem alternativas…

Assim como boleiro é boleiro, empresário é empresário! Bill Gates é um empresário… E um vendedor de cachorro quente na praia também é um empresário!

Afinal, quando é que a corrupção atrapalha os investimentos externos no país?

Quando nem os corruptos tem idéia de quem, quando, onde, como e por que estão cobrando propina…

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“Em negócios, palavras são palavras, explicações são explicações, promessas são promessas, mas apenas resultados são realidade.” (Harold Geneen)

 

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