COMO SER INSUBSTITUÍVEL NO MUNDO CORPORATIVO

Empresas: como ser insubstituível no mundo corporativo?

Questão recorrente nos compêndios de autoajuda empresarial, na realidade, parece-me mais uma daquelas situações em que se confunde o conceito de insubstituível com o de inesquecível – tão comum no mundo corporativo, mas que não ocorre no mundo artístico, esportivo, científico.

Afinal, nunca mais haverá:

– Outro Beethoven!

– Outro Einstein!

– Outro Michelangelo!

– Outro Elvis!

– Outro Pelé!

E por que nunca mais haverá outros como eles?

Porque se tratam de pessoas com talento ímpar em suas resperctivas atividades – mas dentro do contexto de seu tempo e de seu espaço.

Avaliados segundo o resultado de sua obra, considerando-se a realidade em que viveram – mas avaliados segundo a ótica da posteridade, ou seja, aqueles que vieram depois deles.

E não por contemporâneos – aqueles de sua época.

Já, na realidade do mundo corporativo, sempre haverá outro compositor, outro pesquisador, outro pintor, outro cantor, outro atleta…

Ou, em outras palavras, outro contador, outro administrador, outro advogado, outro engenheiro, outro consultor…

E por quê?

Porque no mundo corporativo as avaliações não são feitas levando-se em conta a avaliação da posteridade, mas sim aquela que ocorre no dia a dia da vida das pessoas, pois ninguém imagina ter tempo suficiente para pensar tão a longo prazo.

As avaliações são feitas, isto sim, levando-se em conta o seguinte princípio:

– A empresa vai continuar operando amanhã e ter condições de pagar o meu salário?

Pois dependem justamente da continuidade da empresa para seu próprio sustento.

E é justamente por isso que, no mundo corporativo, não se buscam ímpares; buscam-se pares.

Porque uma empresa nada mais é do que uma grande parceria entre seus coadjuvantes – acionistas, funcionários, clientes, fornecedores…

E numa parceria assume-se implicitamente uma certa cumplicidade; afinal, direta ou indiretamente, estão todos ligados pelo mesmo propósito:

– Num mesmo barco que se espera que não afunde…

Procurando sustentar a continuidade da empresa para, em última análise, garantir a própria sustentabilidade.

Portanto, tenhamos em mente que, se buscarmos ser insubstituíveis no mundo corporativo, estaremos perdendo tempo – e, principalmente, energia!

Procuremos ganhar tempo, e economizar energia: busquemos apenas sermos inesquecíveis…

Sendo inesquecíveis, ainda que por uma única pessoa, sempre teremos aberta a possibilidade da lembrança – traduzida concretamente em uma referência por parte dessa outra pessoa, quer seja numa empresa em sua cidade, no país ou quem sabe, na vida de outras pessoas…

Ninguém nunca será insubstituível no mundo – mas qualquer um poderá se tornar inesquecível na vida.

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“A vida não é ter e obter; é ser e se tornar.” (Matthew Arnold)