O QUE SIGNIFICA ESCREVER BEM

Escrever bem?

Fácil: é só procurar se lembrar que ninguém aprendeu a falar falando:

– Todos nós aprendemos a falar… Ouvindo!

Quer aprender a escrever bem? Leia bem mais do que gostaria.

Pois escrever bem o idioma pátrio, em qualquer lugar do mundo, continua sendo um dos elementos fundamentais na avaliação das pessoas – e não só para fins profissionais.

Escrever bem, independentemente do que se vê disseminado “ad nauseam” na rotina do dia a dia da convivência entre as pessoas, e na internet em particular (na maioria esmagadora dos casos de forma “inconsciente”) continua sendo um fator de distinção significativo para avaliação das pessoas.

Escrever bem não se trata de uma questão relacionada à articulação de construções “vernáculas sofisticadas” – ou, em outras palavras, escrever bem não significa “escrever difícil”.

Muito menos de se ater à correta grafia das palavras: afinal, quase ninguém mais percebe que “exessão”, “eceção” ou “esseção” são apenas algumas das diversas “exceções” dentro do vernáculo – já que são corrigidas automaticamente por qualquer corretor ortográfico.

Escrever bem é muito mais do que isso.

A questão mais importante que traduz o real significado de escrever bem, e por isso mais direta, é:

– Uma pessoa, ao escrever, consegue transmitir a seu leitor suas idéias? Seu ponto de vista? Sua mensagem? Enfim, consegue se fazer minimamente entendido? Compreendido? Interpretado?

Infelizmente, isso está cada vez mais difícil, porque as pessoas se comunicam cada vez pior – e, por conta disso, escrevem pior ainda!

E por que isso?

Antes do advento da internet, qualquer pessoa que se dispusesse a assegurar uma mínima qualidade em sua comunicação (verbal ou escrita) tinha de se dedicar ao exercício cotidiano de consultas constantes a dicionários e afins.

Além de isso consumir muito de seu precioso tempo, a pessoa que assim procedia ainda tinha de conviver com a “pecha” de ser considerada como “pedante” – pois consultar um dicionário sempre foi considerado com uma atividade muito chata, a ponto de o “dicionário” (a “bíblia” de qualquer idioma) ter sido definido num passado não tão assim remoto de forma absolutamente pejorativa como “o pai dos burros”.

Dicionário? Pai dos burros?

Como se quem consultasse um dicionário fosse um burro.

Vejam só a que ponto chegaram os “terroristas” da indolência – sim, eles! Os preguiçosos.

E hoje, o que ocorre no dia a dia? Para se escrever qualquer coisa, já não há mais a necessidade de alguém se locomover até uma estante, para manusear um livro com mais de 2.000 páginas (e mais de 100.000 verbetes) para uma pesquisa sobre alguma dúvida sobre o idioma.

Afinal, basta apenas um “clique” na tela do computador para se procurar sobre uma palavra:

– Sua correta grafia;

– Seus diversos significados;

– O contexto em que são aplicáveis;

E o pior é que nem nesse “clique” muitos se dão ao trabalho…

Quer aprender a escrever bem?

De forma minimamente inteligível para seus interlocutores, e garantir um mínimo de sucesso na vida corporativa, social, familiar – ou, pelo menos na vida pessoal? Simples:

– Leia!

Leia muito! Leia tudo! Tudo o que estiver a seu alcance. A começar pelos manuais de equipamentos eletrônicos que todo mundo tem em casa – e que a maioria nunca nem sequer folheou.

E que, em sua grande maioria, não representam um estilo de “literatura” de sofisticada – aliás, na maioria das vezes o principal benefício dessa leitura será o de identificar o que “não fazer” para se escrever um texto de maneira inteligível.

Para se escrever bem, o exercício da leitura será sempre a principal fonte de aprendizado para qualquer pessoa que tenha essa disposição – contribuindo, no mínimo, para a formação de uma articulação intelectual producente.

E é por isso que não é aconselhável se começar esses exercícios por textos de interpretação “difíceis”, “enigmáticos”, “esotéricos” – pois se assim o for, todo esforço poderá se tornar em vão, ao desestimular a iniciativa de quem se disponha a progredir…

Por exemplo, “Memórias Póstumas de Brás Cubas”, de Machado de Assis, é um excelente livro, uma das obras-primas da literatura brasileira.

Só que querer despertar o gosto pela literatura em alguém tomando esse livro como inspiração do gosto pela leitura em alguém é, no mínimo… Pretensão.

Pois se trata de uma obra extremamente elaborada, requintada – e por ser tão rebuscada, pode dar desânimo aos não iniciados.

Por isso, para começar, que tal um gibi? Algo do tipo… Mônica e Cebolinha! Uma leitura suave, ingênua e que pode sim despertar de maneira objetiva o gosto pela leitura! E, principalmente, a imaginação. Afinal, acredite:

– Um dia, mais cedo ou mais tarde, um dos planos infalíveis do Cebolinha para derrotar a Mônica vai dar certo – e aí então, o que acontece? O Cebolinha se casa com a Mônica…

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“Escrever é fácil: você começa com maiúscula e termina com um ponto final. No meio, coloca idéias.” (Pablo Neruda)