O QUE SIGNIFICA CHORO NUMA EMPRESA

Choro? Nas empresas?

De que adianta o choro? Bem, segundo o velho ditado, quem não chora não mama.

Uma coisa que sabemos fazer desde quando pequenininhos é chorar.

E não há coisa mais importante num choro do que ele ser crível, ou seja, digno da atenção de quem o ouve.

Não basta chorar – é importante que o choro tenha credibilidade.

A credibilidade que nasce da convicção de quem ouve o choro, a ponto de considerar que ele ocorre por um motivo justo.

E é por isso que quando um bebê se põe a chorar, não há hesitação de quem está a seu redor.

E é por isso que a conclusão de todos é inevitável:

– Há algo de errado com ele: será que é fome? Frio? Calor? Dor de barriga? Dor de ouvido? Dor de…

Afinal, todo mundo sabe que um bebê (pelo menos naquela altura de sua vida) ainda não está contaminado por qualquer vírus social de dissimulação que lhe altere o comportamento objetivo.

Tudo nele é objetivo – ou não?

Seria possível haver algo de subjetivo nos sentimentos de um bebê?

Sentimentos como:

– Gula;

– Avareza;

– Luxúria;

– Ira;

– Inveja;

– Preguiça;

– Soberba…

Bons esses primeiros anos de vida, não?

Ser capaz de sensibilizar a todos a seu redor, sem ter de recorrer a argumentos mirabolantes para justificar (ou pelo menos tentar explicar…) a razão de um choro.

Só que o tempo passa.

Passa…

Passa…

Passa…

E o bebê, finalmente… Torna-se um adulto.

E um dia desses qualquer no inevitável caminho rumo ao futuro que todos temos de trilhar, ele acaba por ter de trabalhar em uma empresa qualquer – afinal, todos temos de garantir o sustento!

E essa pessoa não se conforma com a maneira com que os demais (notadamente seus superiores) não lhe atribuem o devido valor.

Todos esses demais invariavelmente indiferentes a sua capacidade, sua habilidade, seu potencial.

Enfim, tudo o que ela pessoa poderia proporcionar para a empresa em que trabalha, fosse ela devidamente reconhecida.

E por conta disso se põe a chorar – Um choro inicialmente discreto.

Meio que contido – mas assumidamente manifesto.

Mas que não surte efeito.

E então? Começa a chorar mais alto (sem lágrimas, óbvio) e mais forte!

E ninguém dando atenção; ninguém dando a mínima bola.

A maioria das pessoas tem dificuldade de entender que não basta chorar numa empresa por razões subjetivas.

No mundo corporativo não se tem tempo para avaliar caso a caso a situação de cada profissional – isso é tarefa para profissionais da psicanálise.

No mundo corporativo o que conta é a atenção que alguém atrai para si em termos de cuidados – não em termos de manutenção de vida, mas em termos de manutenção na empresa.

Pois todo profissional quando admitido é como um bebê para uma empresa: alguém com potencial de crescimento que a empresa espera ser inimaginável.

E esse mesmo profissional se torna adulto para a empresa quando ela constata que ele não tem mais perspectivas de crescimento profissional – e é essa a verdadeira razão de seu choro

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“Quando a infância morre, seus cadáveres são chamados de adultos.” (Brian Aldiss)