AS COISAS COMO ELAS SÃO

A realidade nos confronta com coisas que nem sempre conseguimos enxergar em nosso dia a dia – e que nos são apresentadas pelos mais diversos personagens:

– Nosso chefe;

– Nossa parceira;

– O síndico do prédio;

– O fiscal de trânsito;

– Os governos (em suas diversas esferas de atuação – federal, estadual, municipal)

Enfim, por conta de todas essas confrontações, algumas coisas acabam se perdendo: por exemplo, a capacidade de conviver com tantas confrontações – mais ou menos o que acontece com um boxeador quando, de tanto receber golpes de seu oponente na cabeça, acaba por perder a noção do embate e, na iminência inevitável de seu massacre, olha para seu treinador.

Jogar a toalha?

Sinceramente: quando um treinador para uma luta para jogar a toalha?

Por quais motivos?

Não há “motivos”…

Apenas “resultado”:

– Preservar seu nome.

E seu nome está diretamente relacionado com o que a plateia (as outras pessoas) quer assistir.

Pouco importa a capacidade de recuperação demonstrada por seu pupilo durante os treinamentos!

“Treinamento e luta são coisas diferentes!”, pensa ele.

Na maioria das vezes (salvo as honrosas exceções), nem sempre quem não esteja diretamente ligado a um acontecimento procurará ver as coisas como elas são – e sim como elas parecem.

A maioria das pessoas age assim por conta de uma usual hesitação em todos os eventos do dia a dia, que acaba por levá-las à mais cômoda das alternativas:

– Delegar a um terceiro o veredicto quanto à normalidade de seu discernimento sobre o que seria sua capacidade de reação perante os percalços da vida.

Psicólogos, psicanalistas, psiquiatras…

Sinceramente:

– Alguém que se disponha a, de livre e espontânea vontade, terceirizar sua responsabilidade de conviver com os percalços da vida deveria ter sua cabeça examinada!

O que significa isso?

– Um psiquiatra é a última pessoa com quem você deve falar – e, mesmo assim, depois de começar a falar sozinho…

Pois invariavelmente todos nós somos um pouco loucos…

Loucura faz parte da natureza de todos seres vivos!

Ou, se preferir, de todos os seres que possuem o instinto da autopreservação.

Independentemente se humanos, cães, bagres, leões, baratas, polvos, ratos…

Loucura é dizer “não”, quando todos os supostos “normais” diriam “sim”…

Para tudo aquilo que de alguma maneira coloque em risco sua existência – ou, pelo menos, para a maioria delas.

E é por isso que um pouco de loucura não faz mal a ninguém – pois é muito importante dizer “não” de vez em quando -pois exercê-la libera um nível de atividade mental imprescindível para a expansão do universo de nossa criatividade.

E ela só deve ser reprimida quando começar a atrapalhar…

E quando a loucura começa a atrapalhar?

Quando não se consegue gozar as dádivas de simplesmente ainda se estar vivo.

Por exemplo, se você está tentando olhar para mim, está perdendo seu tempo…

E se você tentar me deixar louco, chegou tarde…

Um psicótico diz que dois mais dois são cinco; um neurótico sabe que dois mais dois são quatro – e não se conforma com isso!

Sabe por quê?

Porque ele sabe que o diagnóstico quanto à normalidade ou não de qualquer pessoa vem sendo avaliado pela medicina tão-somente segundo um padrão estatístico!

Independentemente do real estado de nossa saúde…

***

“Nós não vemos as coisas como elas são – nós as vemos como nós somos.” (Anais Nin)

 

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