AHAM, UHUM… AHAH!

Aham…

Uhum…

Ahah…

Afinal, o que isso tudo significa?

Significa apenas que independentemente de todo o processo de evolução do ser humano ao longo dos milênios, ainda continuamos a nos comportar como nossos ancestrais; sim, aqueles:

– Os das cavernas.

Quando não havia ainda o conhecimento necessário para que eles pudessem tentar transmitir seus pensamentos por meio de palavras.

Recorrer à internet, ou mesmo quiçá a um dicionário, na era das cavernas?

Naquelas priscas eras, a existência do ser humano não se diferenciava muito da de qualquer animal.

Um animal qualquer; que tal, como exemplo, um cachorro?

E o que faz um cachorro?

– Au.

– Au…

– Au!

Percebeu?

A mesma expressão, com três diferentes entonações.

O que significa que cada uma delas possui um significado específico.

E suficientemente perceptíveis entre aqueles que compartilham dos mesmos pensamentos quanto a seu significado.

Um cachorro sabe quando outro está latindo por fome; e quando está latindo por sede.

Só que quando ouvimos alguém tentando expressar seus pensamentos por meio dessas expressões, e tantas outras mais,  estamos inevitavelmente diante de alguém que simplesmente não sabe como transmitir seus pensamentos no momento em que eles estão ocorrendo?

Não, nem sempre.

Muitas vezes estamos simplesmente diante de pessoas em situações em que elas não sabem, não querem ou não se importam se seus pensamentos se apresentem aos seus ouvintes de maneira suficientemente clara.

Ou, em outras palavras, traduzir o que se passa em seu pensamento por meio de…

Palavras!

Pois muitas vezes traduzir pensamentos por meio de palavras específicas pode ser muito arriscado – a tal ponto de nos fazer esquecer que também somos apenas mais um dentre tantos outros  animais.

Seres humanos são animais.

A diferença dos outros animais é que são racionais.

Bem, pelo menos racionais conceitualmente.

Todo ser humano nasce analfabeto, certo?

Será que ainda poderia haver alguma dúvida sobre isso?

Claro que não.

A dúvida que pode surgir reside no cerne da condição em que se manifesta o verdadeiro problema, que é o de constatar que se em sua existência alguém se mantiver tentando transmitir seus pensamentos sem uma articulação verbal minimamente inteligível para quem quer que a esteja ouvindo, esse alguém corre o sério risco de morrer na mesma condição em que nasceu:

– Analfabeto!

AHAM…?

***

“Para compreender as pessoas, devo tentar escutar o que elas não estão dizendo e o que elas talvez nunca venham a dizer.” (John Powell)

 

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